Empresas da província de Kagoshima começaram a mudar o nome da tradicional licença menstrual no Japão em uma tentativa de tornar o benefício mais fácil de utilizar e reduzir o constrangimento entre funcionários.
Em muitos casos, o termo “licença menstrual” passou a ser substituído por nomes mais amplos, como “licença de bem-estar” ou “licença para gestão da saúde”.
Segundo empresas e especialistas, a mudança busca evitar expressões consideradas diretas demais e criar um ambiente mais confortável para quem precisa se afastar do trabalho por questões de saúde.
O Banco de Kagoshima, por exemplo, alterou o nome do benefício para “licença de bem-estar” em abril de 2023.
Antes da mudança, apenas entre duas e cinco funcionárias utilizavam a licença por ano. No entanto, após a alteração, o número subiu para 24 funcionárias no ano fiscal de 2023, 33 em 2024 e 42 em 2025.
Além disso, a empresa ampliou o benefício para incluir tratamentos de fertilidade e exames médicos complementares.
O sistema também passou a aceitar pedidos independentemente do gênero para a Japão. Como resultado, o número de homens utilizando a licença começou a crescer gradualmente.
Procurando por novas oportunidades de empregos no Japão? Clique aqui!
Segundo Ayaka Nishimaru, responsável pelo setor de recursos humanos do banco, a troca do nome reduziu a barreira psicológica para utilização do benefício e aumentou a conscientização dos funcionários sobre cuidados com a saúde.
Outras instituições também começaram a adotar medidas semelhantes.
O Hospital Nanpu, na cidade de Kagoshima, implementou em 2024 uma “licença de bem-estar” que permite até cinco dias de afastamento remunerado por sintomas menstruais.
Segundo a instituição, o número de usuários aumentou significativamente após a mudança.
Além disso, o próprio governo da província de Kagoshima alterou neste ano o nome oficial da licença menstrual para “licença de gestão da saúde”.
A licença menstrual existe no Japão desde 1947, quando entrou na legislação trabalhista do país.
Pela lei japonesa, empregadores devem permitir o afastamento caso a funcionária solicite a licença e esteja com dificuldade para trabalhar.
Mesmo assim, o uso do benefício continua baixo. Uma pesquisa do Ministério da Saúde realizada em 2020 mostrou que apenas 0,9% das trabalhadoras utilizavam a licença.
Além da mudança de nomenclatura, algumas empresas passaram a investir em treinamentos e programas de conscientização sobre sintomas menstruais e saúde feminina.
Uma construtora da cidade de Kirishima realizou recentemente uma atividade em que funcionários experimentaram dores menstruais simuladas por meio de estímulos elétricos.
Segundo participantes, a experiência ajudou a ampliar a compreensão sobre as dificuldades enfrentadas por algumas mulheres durante o período menstrual.
Especialistas e profissionais de recursos humanos afirmam que criar um ambiente confortável para utilização da licença depende não apenas das regras da empresa, mas também da compreensão entre os próprios funcionários.
Foto: Pakutaso

