Japão registra reajuste salarial acima de 5% pelo terceiro ano seguido

Japão registra reajuste salarial acima de 5% pelo terceiro ano seguido. O valor médio dos aumentos é o maior desde 1976, mas especialistas apontam desafios.
News banner: Japanese currency as background for a report on wage growth exceeding 5% for the third year in a row, in a financial economy context

As grandes empresas japonesas registraram reajuste salarial médio de 5,37% neste ano, marcando o terceiro ano consecutivo em que os aumentos superam 5%, segundo levantamento da Federação Empresarial do Japão (Keidanren). O valor médio do reajuste chegou a ¥19.752 por mês, o maior desde 1976. O resultado reforça a tendência de recuperação dos salários, mas especialistas alertam que os ganhos ainda não alcançam todos os trabalhadores.

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A Federação informou que o reajuste médio de 5,37% inclui tanto os aumentos salariais negociados nas campanhas anuais (shuntō) quanto os reajustes automáticos por tempo de serviço.

É o terceiro ano consecutivo em que os reajustes ultrapassam 5%, algo que não acontecia desde o período da bolha econômica japonesa, entre 1989 e 1991.

O valor médio do aumento foi de ¥19.752 por mês, o maior registrado desde que a entidade adotou o atual método de levantamento, em 1976.

Segundo a Federação, o resultado mostra que os aumentos salariais vêm se consolidando como resposta das grandes empresas à inflação e à crescente escassez de mão de obra no Japão.

Salários começam a reagir

Para Hideaki Ishikura, diretor do Alternative Work Lab, os reajustes acima da inflação indicam uma mudança importante após décadas de estagnação salarial.

Segundo ele, se esse ritmo continuar, o Japão poderá finalmente entrar em um ciclo sustentável de crescimento dos salários, algo que o país não experimentava há muitos anos.

Durante décadas, os salários médios permaneceram praticamente estagnados, mesmo em períodos de crescimento econômico moderado.

Nem todos acompanham

Apesar do cenário positivo para os empregados das grandes empresas, Ishikura destacou que o aumento do salário mínimo foi de 4,9%, abaixo do reajuste médio obtido pelas grandes companhias.

Na prática, isso pode ampliar a diferença de renda entre trabalhadores de grandes empresas e aqueles empregados em pequenas empresas ou que recebem remuneração próxima ao salário mínimo.

Segundo o especialista, entre 5 milhões e 10 milhões de pessoas no Japão trabalham em empregos próximos ao salário mínimo, e muitas delas continuam enfrentando dificuldades para manter o custo de vida, mesmo trabalhando em período integral.

Para ele, um dos principais desafios será fazer com que o salário mínimo cresça em ritmo igual ou superior ao dos reajustes negociados pelas grandes empresas.

AI será decisiva

Outro desafio apontado por Ishikura é a sustentabilidade desses aumentos salariais.

Segundo ele, elevar os salários em torno de 5% todos os anos só será possível se as empresas conseguirem aumentar sua produtividade na mesma proporção.

Em um país com população envelhecida e escassez de trabalhadores, o especialista acredita que a inteligência artificial terá papel fundamental nesse processo.

Na avaliação dele, empresas de todos os portes precisarão incorporar a IA ao cotidiano de trabalho para automatizar tarefas repetitivas, aumentar a produtividade e permitir que os funcionários se concentrem em atividades de maior valor agregado.

Em termos simples

O reajuste salarial divulgado pela Federação mostra que as grandes empresas japonesas continuam aumentando os salários em um ritmo superior ao observado nos últimos anos. Isso é importante porque, durante mais de duas décadas, o Japão enfrentou um período de baixo crescimento econômico, inflação muito baixa e salários praticamente estagnados.

Nos últimos anos, porém, a alta dos preços e a falta de trabalhadores fizeram muitas empresas elevar os salários para atrair e manter funcionários. Essa mudança é vista pelo governo como essencial para criar um ciclo em que as pessoas tenham maior renda, aumentem o consumo e impulsionem a economia.

Apesar do resultado positivo, o aumento não beneficia todos os trabalhadores da mesma forma. Empregados de pequenas empresas e pessoas que recebem salários próximos ao mínimo ainda enfrentam reajustes menores, o que pode ampliar a desigualdade de renda. Além disso, especialistas afirmam que manter aumentos salariais elevados por muitos anos dependerá do crescimento da produtividade das empresas, especialmente com a adoção de tecnologias como a inteligência artificial.

Fonte: FNN

Foto: Reprodução

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