O Japão poderá cair para a sexta posição no ranking das maiores economias do mundo em 2027, segundo projeções apresentadas em uma reportagem da emissora japonesa TBS. O país, que já ocupou o segundo lugar mundial, enfrenta os efeitos do baixo crescimento econômico e da desvalorização do iene.
A classificação considera o Produto Interno Bruto (PIB) nominal convertido em dólares, indicador utilizado para comparar o tamanho das economias. A previsão aponta que Índia e Reino Unido poderão ultrapassar o Japão, embora mudanças no câmbio ainda possam alterar as posições.
Em 1968, durante o período de rápido crescimento econômico, o Japão alcançou a segunda posição mundial em PIB, atrás apenas dos Estados Unidos.
Naquele ano, o escritor Yasunari Kawabata recebeu o primeiro Prêmio Nobel de Literatura concedido a um japonês. O país também vivia uma fase de expansão do consumo, marcada pela popularização de televisores coloridos, aparelhos de ar-condicionado e automóveis particulares.
Um entrevistado que tinha sete anos naquela época recordou que havia uma expectativa generalizada de melhoria das condições de vida.
Segundo ele, as pessoas trabalhavam acreditando que o dia seguinte seria melhor que o anterior.
O crescimento continuou nas décadas seguintes e culminou na chamada bolha econômica japonesa, na segunda metade dos anos 1980.
Um entrevistado relembrou que, durante aquele período, chegou a receber cinco bônus salariais em um único ano.
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Após o estouro da bolha econômica, no início dos anos 1990, o Japão entrou em um longo período de baixo crescimento, frequentemente chamado de “30 anos perdidos”.
Em 2010, a China ultrapassou o Japão, que passou da segunda para a terceira posição mundial, depois de 42 anos como a segunda maior economia.
Naquele período, o país enfrentava dificuldades econômicas e deflação. A reportagem relembrou a falência da Japan Airlines, que passou por um processo de recuperação judicial, e a disputa entre redes de restaurantes que reduziram o preço de uma tigela de gyudon para menos de 300 ienes.
Em 2023, o Japão perdeu mais uma posição, sendo ultrapassado pela Alemanha.
Um dos principais fatores foi a desvalorização do iene, que reduziu o valor do PIB japonês quando convertido em dólares.
Índia e Reino Unido podem ultrapassar o Japão
A reportagem aponta que o Japão poderá perder outras duas posições em 2027, passando do quarto para o sexto lugar.
Entre os principais fatores estão a continuidade da desvalorização do iene e as expectativas de crescimento econômico mais elevado na Índia e no Reino Unido.
Entretanto, especialistas destacaram que as diferenças entre os valores do PIB desses países são relativamente pequenas.
Por isso, mudanças nas taxas de câmbio ainda podem alterar a classificação, especialmente entre a quinta e a sexta posições.
A reportagem também mencionou projeções de longo prazo segundo as quais o Japão poderá ocupar posições entre a sexta e a décima no ranking mundial em 2035 ou 2050.
Essas estimativas, porém, dependem do desempenho futuro das economias e não representam resultados definitivos.
PIB por habitante também apresenta queda no ranking
Além do tamanho total da economia, a reportagem destacou a evolução do PIB per capita, indicador que divide a produção econômica de um país pelo número de habitantes.
Entre os países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Japão ocupava a segunda posição nesse indicador em 2000.
Para 2026, a classificação apresentada coloca o país na 27ª posição, enquanto a Coreia do Sul aparece em 21º lugar.
Os comentaristas observaram que a queda no PIB por habitante merece atenção porque o indicador permite comparar a produção econômica média por pessoa.
Entretanto, o PIB per capita não corresponde diretamente à renda recebida pelos trabalhadores nem mede, isoladamente, a qualidade de vida da população.
Produtividade é apontada como desafio para o futuro
Durante a discussão, os comentaristas destacaram a necessidade de aumentar a produtividade da economia japonesa.
Entre as possibilidades mencionadas estão o desenvolvimento de produtos e tecnologias com maior valor agregado, especialmente em setores como o de semicondutores.
Outra alternativa discutida foi o fortalecimento da presença internacional da cultura japonesa.
Como exemplo, os participantes citaram a influência global da indústria cultural sul-coreana, especialmente do K-pop, e defenderam que o Japão também poderia ampliar a exportação de seus produtos culturais.
População demonstra preocupação com o custo de vida
Nas entrevistas realizadas pela TBS, moradores expressaram sentimentos diferentes sobre o futuro econômico do país.
Alguns lamentaram a perda de posições no ranking mundial e afirmaram que o Japão precisa recuperar sua competitividade.
Outros demonstraram preocupação principalmente com as despesas cotidianas.
Um entrevistado afirmou que o aumento do custo de vida dificulta atividades como viajar, manter relacionamentos e aproveitar pequenos momentos de lazer.
Apesar das dificuldades, parte dos entrevistados acredita que o Japão ainda possui condições de fortalecer sua economia.
Foto: Reprodução

