Derrota de Trump nas eleições dos EUA pode afetar economia e segurança do Japão

Derrota de Trump nas eleições dos EUA pode afetar o Japão, com riscos de desvalorização do iene, aumento dos preços e mudanças na segurança regional.
Capitol dome at dusk with a bold Portuguese headline about Trump’s election defeat affecting Japan’s economy and security.

A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos pode trazer consequências para a economia e a segurança do Japão nos próximos dois anos. Entre as principais preocupações estão a possibilidade de uma nova desvalorização do iene, os impactos das tarifas comerciais americanas e eventuais mudanças na política de defesa dos Estados Unidos para a Ásia.

Segundo uma análise apresentada pela TV Asahi, a derrota dos republicanos pode limitar algumas iniciativas do presidente Donald Trump, mas também aumentar as incertezas sobre suas decisões até o fim do mandato.

O resultado eleitoral já provocou reações no mercado financeiro japonês. No dia 4 de novembro, as ações de empresas ligadas à inteligência artificial e à fabricação de semicondutores sofreram fortes quedas, em meio ao receio de novas restrições nos Estados Unidos.

Durante o pregão, o principal índice da bolsa japonesa chegou a recuar aproximadamente 3.000 pontos, embora tenha recuperado parte das perdas posteriormente.

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Uma das preocupações dos investidores está relacionada à construção de centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, nos Estados Unidos.

O país vem ampliando os investimentos nessa infraestrutura para competir com a China pelo desenvolvimento da inteligência artificial.

Entretanto, essas instalações consomem grandes quantidades de eletricidade e água, provocando movimentos de oposição por questões ambientais, especialmente entre eleitores e representantes ligados ao Partido Democrata.

Com o avanço dos democratas nas eleições locais, existe a possibilidade de que novas regras dificultem a aprovação de projetos desse tipo.

Isso poderia afetar empresas japonesas ligadas à produção de semicondutores, equipamentos eletrônicos e outras tecnologias utilizadas na infraestrutura de inteligência artificial.

A preocupação também foi mencionada por trabalhadores japoneses entrevistados pela emissora, que temem os efeitos da instabilidade americana sobre seus empregos e a economia do país.

Conflito com o Irã pode pressionar ainda mais os preços no Japão

Outro fator de preocupação é a possibilidade de intensificação dos ataques americanos contra o Irã.

Especialistas ouvidos pela TV Asahi avaliam que Trump pode tentar consolidar seu legado político nos dois anos restantes de mandato, inclusive por meio de uma postura militar mais agressiva no Oriente Médio.

Uma eventual intensificação dos confrontos poderia elevar os preços internacionais do petróleo, afetando diretamente a economia japonesa.

O Japão depende fortemente da importação de combustíveis e outras fontes de energia. Por isso, aumentos no petróleo podem elevar os custos de transporte, produção industrial e distribuição de mercadorias.

Caso os conflitos sejam interrompidos ou encerrados posteriormente, a economia poderia se beneficiar de uma redução dessas pressões. Entretanto, a reportagem destaca que a evolução da situação permanece incerta.

Vitória democrata também pode provocar nova desvalorização do iene

Embora a derrota republicana possa representar um obstáculo para algumas políticas de Trump, economistas apontam que o resultado eleitoral também pode favorecer a valorização do dólar em relação ao iene.

A explicação está nas diferenças entre as políticas fiscais defendidas pelos dois partidos.

Segundo a análise apresentada pela emissora, os republicanos tendem a favorecer medidas de expansão dos gastos públicos, enquanto os democratas demonstram maior preocupação com a deterioração das contas do governo americano.

Caso o avanço democrata consiga limitar o crescimento do déficit fiscal dos Estados Unidos, a confiança dos investidores na economia americana poderá aumentar.

Isso poderia estimular a compra de dólares e, consequentemente, pressionar o iene.

Para o Japão, uma nova desvalorização da moeda representaria dificuldades adicionais, especialmente porque produtos importados, matérias-primas e combustíveis ficariam mais caros.

Se esse movimento persistir, famílias e empresas japonesas poderão continuar enfrentando custos elevados, mesmo que outras pressões inflacionárias diminuam.

Exportadores japoneses esperam mudanças nas tarifas americanas

As políticas comerciais dos Estados Unidos também preocupam as empresas japonesas que dependem das exportações.

Em uma fabricante de saquê localizada na província de Gifu, representantes afirmaram que o mercado americano é um dos destinos mais importantes para seus produtos.

As tarifas impostas pelo governo Trump elevaram os preços de venda nos Estados Unidos, fazendo com que o saquê japonês se tornasse mais caro para os consumidores americanos.

Apesar das dificuldades, a empresa conseguiu manter suas operações e registrou crescimento nas vendas de bebidas destinadas ao público de maior poder aquisitivo.

O fabricante afirmou que continuará priorizando a qualidade do saquê e a divulgação da cultura japonesa, independentemente das mudanças políticas americanas.

Outra empresa entrevistada, a Daido Metal, fabricante de componentes para motores com forte presença internacional, demonstrou maior otimismo com o resultado eleitoral.

A companhia relatou que inicialmente precisou absorver uma tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos. Posteriormente, foi obrigada a negociar reajustes de preços com seus clientes para compensar os custos adicionais.

Um representante da empresa avaliou positivamente a vitória democrata, por considerar que uma maior presença da oposição no Congresso poderia limitar as políticas protecionistas de Trump.

Para ele, a economia internacional precisa preservar o comércio livre e a circulação de produtos entre os países.

Apesar dessas expectativas, o resultado das eleições não significa que as tarifas americanas serão automaticamente reduzidas ou eliminadas.

Japão pode enfrentar novas pressões para aumentar gastos militares

Além dos efeitos econômicos, a reportagem destaca possíveis mudanças na política de segurança dos Estados Unidos para o Leste Asiático.

O professor Kazuhiro Maeshima, da Universidade Jouchi, afirmou que Trump vem tentando cumprir compromissos assumidos durante a campanha presidencial de 2024.

Segundo o especialista, algumas das principais iniciativas ainda pendentes envolvem justamente a Ásia.

Uma delas seria a retomada das negociações diretas com o líder norte-coreano Kim Jong-un.

Maeshima considera possível que Trump busque um acordo com a Coreia do Norte como parte de seu legado político, chegando eventualmente a aceitar alguma forma de reconhecimento de sua condição de potência nuclear.

Essa possibilidade, apresentada como uma hipótese pelo professor, poderia alterar profundamente o ambiente de segurança do Japão.

Outra preocupação envolve as exigências americanas para que Japão e Coreia do Sul aumentem seus gastos militares.

O especialista avalia que Trump poderá pressionar os dois aliados a assumir compromissos financeiros ainda maiores, possivelmente com metas consideradas excessivas pelos governos envolvidos.

Acordos entre Trump e Coreia do Norte preocupam o Japão

Maeshima também alertou para a possibilidade de Trump negociar diretamente com Kim Jong-un sem consultar previamente os governos japonês e sul-coreano.

Segundo o professor, o presidente americano já demonstrou insatisfação com os custos de manutenção das tropas dos Estados Unidos na Coreia do Sul e fez declarações críticas sobre os compromissos militares americanos na região.

O especialista também mencionou questionamentos de Trump sobre o tratado de segurança entre Japão e Estados Unidos, que constitui uma das principais bases da defesa japonesa.

Uma eventual redução da presença militar americana na região ou mudanças nas condições de cooperação poderiam obrigar o Japão a revisar aspectos importantes de sua estratégia de segurança.

Para Maeshima, o governo japonês terá de intensificar seus esforços diplomáticos para preservar a estabilidade regional e evitar decisões unilaterais que alterem o equilíbrio de segurança no Leste Asiático.

O professor considera que, embora as eleições de meio de mandato tenham enfraquecido politicamente Trump, os próximos dois anos poderão representar um período especialmente delicado para o Japão e outros países asiáticos.

A avaliação é que temas como a Coreia do Norte, os gastos militares dos aliados e a presença americana na região poderão ganhar maior importância na segunda metade do mandato presidencial.

Fonte: TV Asahi

Foto: Reprodução

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