Após 13 anos, Japão atinge meta de inflação de 2%, mas alta dos alimentos pesa no bolso da população

Após 13 anos, Japão atinge meta de inflação de 2%, mas alimentos continuam subindo acima desse índice e pressionando o orçamento das famílias.
Colégia de imprensa: manchete em PT sobre inflação japonesa, após 13 anos atingindo meta de 2%, alimentos pesam no bolso; homem de terno diante de vários microfones ao lado de um cartaz.

O Banco do Japão (BOJ) anunciou que a inflação estrutural do país chegou a aproximadamente 2%, alcançando uma meta estabelecida em 2013 para combater a deflação. Apesar do resultado, os consumidores continuam enfrentando aumentos muito superiores nos supermercados. No ano passado, por exemplo, os alimentos ficaram 6,8% mais caros.

A diferença está no indicador utilizado pelo Banco do Japão, que procura identificar a tendência de longo prazo dos preços, desconsiderando oscilações temporárias. Já a inflação sentida pelas famílias inclui aumentos provocados por fatores como condições climáticas, custos de energia e desvalorização do iene.

Em novembro, cerca de 1.500 produtos estão sujeitos a reajustes de preços. Segundo levantamento da empresa de pesquisas Teikoku Databank, 147 produtos alimentícios tiveram aumentos médios de 17%.

Um exemplo é a maionese da marca Kewpie, cujo preço passou de 517 para 565 ienes, uma diferença de 48 ienes. A fabricante reajustou os preços de 224 produtos enviados a partir de 1º de novembro, com aumentos que variam de aproximadamente 3% a 25%.

Os números contrastam com a meta anunciada pelo Banco do Japão. Enquanto o índice geral de preços ao consumidor registrou alta de 3,2% no ano passado, os alimentos subiram mais que o dobro desse percentual.

🔎 Procurando emprego no Japão? Confira as vagas disponíveis.

Desde 2013, o Banco do Japão trabalha para alcançar uma inflação sustentável de 2%, considerada necessária para superar o longo período de deflação enfrentado pela economia japonesa.

Na deflação, os preços permanecem estagnados ou caem, enquanto empresas encontram dificuldades para aumentar suas receitas e os salários dos trabalhadores. Esse processo pode reduzir o consumo e prejudicar a atividade econômica.

Para combater esse problema, o então presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, lançou em 2013 uma política de flexibilização monetária de grandes proporções, conhecida como Kuroda Bazooka.

O objetivo inicial era atingir uma inflação de 2% em aproximadamente dois anos. Entretanto, os preços permaneceram praticamente estagnados durante boa parte da década seguinte.

A situação começou a mudar com a invasão russa da Ucrânia, o agravamento das tensões no Oriente Médio e a elevação dos custos de energia. A desvalorização histórica do iene também encareceu produtos importados.

Com a escassez de trabalhadores e os reajustes salariais registrados nos últimos anos, o Banco do Japão considera que a economia finalmente alcançou um nível de inflação estrutural próximo da meta.

O que é a inflação estrutural?

O indicador considerado pelo Banco do Japão é chamado de taxa subjacente de inflação.

Diferentemente da inflação percebida diretamente pelos consumidores, essa avaliação procura identificar a tendência de longo prazo dos preços, desconsiderando oscilações consideradas temporárias.

Um exemplo são os aumentos nos preços dos vegetais provocados por chuvas intensas ou condições climáticas desfavoráveis. Subsídios governamentais concedidos por períodos limitados também podem provocar alterações que não representam necessariamente uma tendência permanente.

O Banco do Japão analisa esses fatores juntamente com as expectativas de inflação das famílias e empresas para avaliar a evolução dos preços.

Não se trata, portanto, de um indicador calculado simplesmente pela exclusão de determinados produtos. A autoridade monetária utiliza diferentes informações e avaliações para identificar a tendência predominante.

Segundo a reportagem da TBS, os nove integrantes do conselho responsável pelas decisões de política monetária participaram dessa avaliação.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou que houve consenso entre os membros de que a inflação estrutural chegou, de maneira geral, ao patamar de 2%.

Aumento dos preços pode ser positivo para a economia?

Embora os reajustes representem uma dificuldade para as famílias, o Banco do Japão considera que uma inflação moderada pode contribuir para o crescimento econômico, desde que seja acompanhada pelo aumento dos salários.

A lógica é que empresas capazes de reajustar seus preços podem ampliar suas receitas e obter recursos para melhorar a remuneração dos funcionários.

Com salários maiores, os consumidores teriam mais condições de gastar, estimulando as vendas e permitindo novos reajustes salariais.

Esse processo é conhecido como ciclo positivo entre preços e salários e representa o que os economistas chamam de inflação saudável.

Entretanto, a reportagem destaca que o Japão ainda não consolidou esse ciclo.

Parte importante dos aumentos recentes continua relacionada a fatores externos, especialmente os custos de energia, as tensões internacionais e a desvalorização do iene.

Isso significa que os preços podem subir sem que os salários acompanhem o mesmo ritmo, reduzindo o poder de compra das famílias.

Para os consumidores entrevistados pela TBS, essa diferença já aparece nas decisões cotidianas. Um deles afirmou que gostaria de comprar um carro, mas está hesitando devido aos preços elevados, inclusive dos combustíveis. Outro relatou que suas despesas estão superando o dinheiro que consegue ganhar.

Por que o Banco do Japão não aumentou os juros?

Durante a discussão, os comentaristas questionaram por que o Banco do Japão não aproveitou o reconhecimento da meta de inflação para elevar os juros.

Um aumento das taxas japonesas poderia reduzir a diferença em relação aos juros dos Estados Unidos, fator que influencia a cotação do iene.

Em determinadas condições, essa redução poderia favorecer a valorização da moeda japonesa e aliviar parte dos custos de importação.

A explicação apresentada pela jornalista da área econômica da TBS foi que a principal missão do Banco do Japão continua sendo garantir a estabilidade dos preços.

Elevar os juros também aumenta os custos de financiamento para empresas e famílias, podendo afetar investimentos, empréstimos e o consumo.

Por isso, a autoridade monetária precisa avaliar cuidadosamente os efeitos dos reajustes anteriores antes de decidir por novas elevações.

A diferença entre as taxas de juros japonesas e americanas também não é o único fator responsável pela desvalorização do iene.

Próximo objetivo é manter a inflação estável

Com a avaliação de que a inflação estrutural chegou a aproximadamente 2%, o Banco do Japão passa a enfrentar uma nova etapa de sua política monetária.

A intenção não é estimular aumentos cada vez maiores nos preços, mas criar condições para que a inflação permaneça próxima da meta de maneira sustentável.

Para isso, será necessário acompanhar tanto o comportamento dos preços quanto os efeitos das decisões monetárias sobre a atividade econômica.

As empresas também terão um papel importante nesse processo, especialmente na continuidade dos reajustes salariais.

Segundo a análise apresentada pela TBS, o Japão avançou em relação ao período de estagnação dos preços, mas ainda precisa consolidar um ciclo em que os salários cresçam de forma compatível com a inflação, sem comprometer o poder de compra da população.

Fonte: TBS News

Foto: Reprodução

Compartilhar o post

Outras pessoas também curtiram

Empregos - Seu site de empregos no Japão

Um site de empregos, mas também repleto de informações para você que mora no Japão

Bem vindo ao site Empregos.jp

Bem vindo ao site Empregos.jp

Procure vagas de emprego em todo o Japão e fique por dentro de notícias relacionadas!

E-mail de verificação enviado. Se você não recebeu nenhum e-mail, clique no link abaixo para reenviar o e-mail de ativação.