Um professor da Universidade de Agricultura de Tóquio afirmou ter encontrado uma forma de reduzir a dispersão do pólen de cedro no Japão utilizando um aditivo alimentar comum. A descoberta pode ajudar no combate à rinite alérgica causada pelo pólen, problema que afeta milhões de pessoas no país.
O pesquisador Kaihei Koshio, especialista em fisiologia vegetal, descobriu que um aditivo usado na fabricação de alimentos como pão, chocolate e tofu consegue secar as flores masculinas do cedro japonês, responsáveis pela produção do pólen.
Segundo o professor, a ideia surgiu da própria experiência pessoal. Ele desenvolveu alergia ao pólen quando entrou na pós-graduação. Desde então, passou mais de 35 anos pesquisando formas de reduzir a dispersão do pólen no ambiente.
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Atualmente, o governo japonês tenta diminuir o problema cortando cedros e substituindo as árvores por variedades com menos pólen. No entanto, especialistas apontam que essa estratégia exige muito tempo e custos elevados, já que as florestas de cedro ocupam cerca de 4,4 milhões de hectares no Japão.
Além disso, o replantio enfrenta outros desafios. Animais selvagens atacam as mudas e os custos podem chegar a milhões de ienes por hectare.
Diante desse cenário, Koshio defende métodos capazes de impedir diretamente a dispersão do pólen nas florestas já existentes. Após vários testes, ele identificou que o trioleato de sorbitano, composto utilizado como aditivo alimentar, apresenta efeito sobre as flores masculinas do cedro.
No ano passado, a equipe realizou testes em uma floresta de 15 hectares na província de Gunma. Um helicóptero espalhou o produto sobre as árvores e cerca de 60% das flores masculinas secaram. Como resultado, a quantidade de pólen liberada nesta primavera caiu bastante.
Agora, os pesquisadores buscam registrar oficialmente o método como pesticida agrícola, etapa necessária para uso em larga escala. Para isso, o grupo iniciou uma campanha de financiamento coletivo. O objetivo é arrecadar cerca de 72 milhões de ienes destinados a testes de segurança, pulverização aérea e processos regulatórios.
Segundo Koshio, se o método for aprovado, será possível aplicar o produto em áreas próximas a cidades, escolas, hospitais e pontos turísticos. Assim, a quantidade de pólen que chega às regiões urbanas poderá ser reduzida.
Foto: Reprodução

