Mais da metade dos trabalhadores japoneses do sexo masculino tirou licença para cuidar dos filhos no último ano fiscal. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, a taxa de adesão à licença-paternidade chegou a 50,9%, ultrapassando pela primeira vez a marca de 50% e estabelecendo um novo recorde no país.
O resultado também significa que o governo atingiu a meta estabelecida para 2025, que previa que metade dos pais trabalhadores utilizasse esse direito. Agora, o novo objetivo é elevar esse índice para 85% até 2030.
Meta alcançada
De acordo com o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, a taxa de homens que tiraram licença-paternidade no último ano fiscal aumentou 10,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, alcançando os 50,9%.
É a primeira vez que mais da metade dos trabalhadores homens utiliza esse benefício desde que o indicador começou a ser acompanhado.
Segundo técnicos do ministério, o crescimento reflete tanto os esforços das empresas para incentivar a licença-paternidade quanto uma mudança de comportamento entre os trabalhadores mais jovens, que demonstram maior disposição para se afastar temporariamente do trabalho para cuidar dos filhos.
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A pesquisa também mostrou que a adesão entre as mulheres continua significativamente maior.
No último ano fiscal, 88,3% das trabalhadoras utilizaram a licença-maternidade ou licença para cuidados com os filhos, um aumento de 1,7 ponto percentual em relação ao ano anterior.
Apesar da diferença entre homens e mulheres ainda ser grande, o avanço da participação masculina é visto pelo governo como um passo importante para promover uma divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares.
Divisão ainda desigual
Além dos dados sobre licença-paternidade, o ministério realizou, em junho deste ano, uma pesquisa com estudantes e trabalhadores entre 17 e 39 anos sobre o equilíbrio entre trabalho e criação dos filhos.
O levantamento revelou que 38,4% dos entrevistados gostariam que as tarefas domésticas e os cuidados com os filhos fossem divididos igualmente entre o casal. No entanto, apenas 20,8% afirmaram viver, na prática, uma divisão de responsabilidades próxima de 50% para cada um.
A pesquisa também perguntou quais mudanças as pessoas que estão criando filhos consideram mais importantes no ambiente de trabalho. A resposta mais frequente foi a necessidade de uma distribuição mais adequada da carga de trabalho, seguida por maior compreensão por parte de chefes e gestores e pela redução das jornadas prolongadas e das horas extras.
Em termos simples
A licença-paternidade no Japão permite que o pai se afaste temporariamente do trabalho após o nascimento ou adoção de um filho para participar dos cuidados com a criança. Embora esse direito exista há vários anos, muitos trabalhadores deixavam de utilizá-lo por receio de prejudicar a carreira ou causar transtornos no ambiente de trabalho.
Nos últimos anos, o governo japonês passou a incentivar fortemente a participação dos pais na criação dos filhos como forma de melhorar o equilíbrio entre vida profissional e familiar e enfrentar problemas como a queda da natalidade. Para isso, além de mudanças na legislação, o governo vem pressionando as empresas a criarem um ambiente mais favorável para que os homens possam utilizar esse benefício.
O fato de mais da metade dos pais trabalhadores ter tirado licença-paternidade pela primeira vez indica uma mudança cultural importante no mercado de trabalho japonês. Ainda assim, a pesquisa mostra que a divisão das tarefas domésticas e dos cuidados com os filhos continua distante do equilíbrio desejado por grande parte da população.
Foto: Reprodução

