O aumento do número de pessoas que vivem sozinhas no Japão pode provocar mudanças importantes na economia do país, segundo uma análise do ex-economista do Banco do Japão, Hiroshi Kawata, publicada em seu livro O que acontecerá em um país onde há cada vez menos trabalhadores.
O Japão enfrenta um crescimento contínuo do número de pessoas que optam por não se casar, além da redução da população e do envelhecimento da sociedade. Na avaliação de Kawata, esse cenário poderá alterar a forma como os japoneses gastam e poupam dinheiro nas próximas décadas.
Segundo o economista, pessoas que vivem sozinhas tendem a destinar uma parcela maior de sua renda ao consumo do que famílias com duas ou mais pessoas. Isso acontece porque, em muitos casos, não existe a preocupação de preservar patrimônio para deixá-lo como herança aos filhos.
Kawata afirma que, sem esse chamado “motivo da herança”, muitos solteiros podem preferir utilizar seus recursos ao longo da própria vida, buscando chegar ao fim dela com pouca ou nenhuma reserva financeira acumulada. Na prática, isso poderia reduzir a taxa de poupança e aumentar o consumo no país.
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O autor cita pesquisas sobre o comportamento financeiro das famílias japonesas que mostram que pessoas com filhos demonstram maior interesse em preservar patrimônio para as próximas gerações. Já entre quem vive sozinho, essa preocupação tende a ser menor, embora existam exceções.
Outro fator apontado pelo economista é o crescimento do chamado mercado “ohitorisama”, voltado para consumidores que vivem sozinhos. Segundo ele, à medida que supermercados, restaurantes e outros serviços ampliarem a oferta de produtos e experiências destinadas a uma única pessoa, o consumo desse público poderá crescer ainda mais.
No livro, Kawata também relaciona essa tendência ao aumento do movimento FIRE (Financial Independence, Retire Early), que defende a independência financeira e a aposentadoria antecipada. Segundo o autor, a combinação entre menos casamentos, redução da população e mudanças no mercado de trabalho poderá transformar significativamente a economia japonesa nas próximas décadas.
Esta não é uma previsão oficial do governo nem um estudo definitivo. Trata-se da análise de um economista, que acredita que, como mais japoneses estão vivendo sozinhos e muitos não pretendem deixar herança, eles poderão gastar uma parcela maior da renda durante a própria vida. Se esse comportamento se tornar comum, o consumo no Japão poderá aumentar.
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