Chuvas extremas registradas nas últimas semanas estão levando o Japão a rever a capacidade das cidades para enfrentar grandes volumes de água em pouco tempo. Depois dos graves danos registrados em Chiba, o governo começou a discutir novas medidas contra as chamadas inundações urbanas. Nagoya, por outro lado, mostrou como obras realizadas durante mais de duas décadas conseguiram reduzir os danos mesmo diante de uma chuva recorde.
Em agosto, chuvas torrenciais atingiram a província de Chiba e deixaram 13 mortos.
Entre os principais problemas esteve um fenômeno que ocorre quando a quantidade de chuva supera a capacidade dos sistemas de drenagem.
Nesse tipo de inundação, a água não consegue escoar suficientemente rápido pelos bueiros, galerias e redes de drenagem e começa a se acumular nas ruas e áreas mais baixas, mesmo sem o transbordamento de um grande rio.
Carros ficaram submersos e imóveis foram inundados durante o episódio.
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Diante dos danos, o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo criou um comitê para discutir novas medidas.
Uma das possibilidades é elevar as metas de capacidade de drenagem dos sistemas de escoamento em locais considerados de maior risco, como áreas mais baixas.
O governo pretende reunir até o fim do ano propostas para fortalecer o combate às inundações urbanas.
Nagoya mostra impacto das obras contra enchentes
Nagoya oferece um exemplo de como investimentos em infraestrutura podem reduzir os danos.
Em 8 de setembro, a cidade registrou 104,5 milímetros de chuva em apenas uma hora, superando os 97 milímetros registrados durante a histórica Chuva Torrencial de Tokai, em 2000.
Naquela tragédia, 10 pessoas morreram, 115 ficaram feridas e cerca de 70 mil imóveis foram inundados.
Desta vez, apesar de a intensidade máxima da chuva ter sido maior, não houve mortes.
Uma das diferenças está nas obras realizadas desde 2000. Nagoya possui atualmente 99 reservatórios para armazenar temporariamente a água das chuvas, e a capacidade total é mais de cinco vezes maior do que naquela época.
Especialistas alertam, porém, que a infraestrutura também possui limites. Se uma chuva próxima de 100 milímetros por hora tivesse continuado por mais uma ou duas horas, os sistemas poderiam ter sido sobrecarregados.
Tufão nº 25 reforçou preocupação em Chiba
A discussão ganhou ainda mais importância com a passagem do tufão nº 25 pela região de Kanto na segunda-feira, dia 21.
Chiba voltou a registrar ruas alagadas e veículos submersos pouco mais de um mês depois das chuvas que deixaram 13 mortos.
Os episódios reforçam o desafio enfrentado pelo Japão: preparar cidades construídas para determinados volumes de chuva para eventos que podem superar rapidamente a capacidade de drenagem existente.
Foto: Reprodução

