O número de estrangeiros trabalhando no Japão continua crescendo, e a província de Nagasaki já reúne cerca de 13 mil trabalhadores de outros países. Em meio às dificuldades que podem surgir por diferenças culturais e de costumes, iniciativas buscam preparar estrangeiros para a vida no país e, ao mesmo tempo, ampliar a compreensão da sociedade japonesa sobre outras culturas. Três jovens de Bangladesh participam de um desses programas antes de começarem a trabalhar em empresas locais.
Md Nursad Alam, de 26 anos, Arafat Ahmed, de 25, e Shadman Sakib, de 28, estudaram áreas como engenharia elétrica e engenharia mecânica em universidades de Bangladesh.
Os três receberam propostas de emprego de empresas da província de Nagasaki e chegaram ao Japão em maio de 2026.
Nursad e Arafat devem trabalhar em uma empresa de Sasebo que atua, entre outras atividades, no desenvolvimento de hardware. Sakib irá para uma empresa de Higashisonogi que realiza trabalhos relacionados à instalação de sistemas de geração de energia solar.
Antes de começarem efetivamente nesses empregos, porém, eles estão passando por um período de preparação.
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Depois de chegarem ao Japão, os três passaram quatro meses como estudantes estrangeiros da Universidade de Nagasaki.
Além do idioma japonês, eles aprendem conhecimentos e regras necessários para a vida cotidiana no país.
Durante as aulas, fazem anotações em japonês e inglês. Em uma das atividades, quando perguntaram qual supermercado era mais barato, Nursad respondeu “Direx”, provocando risadas na sala.
Arafat reconheceu que os kanji são um pouco difíceis, mas afirmou que continua estudando em casa.
Separação do lixo é um dos desafios
Uma das dificuldades enfrentadas por estrangeiros que passam a morar no Japão é entender como descartar corretamente o lixo.
As regras de separação variam de acordo com cada região e envolvem não apenas o tipo de material, mas também sacos específicos, dias, horários e locais determinados para o descarte.
Em 1º de junho, Kōzaburō Noda, responsável pela área de circulação de recursos da prefeitura de Nagasaki, explicou aos três a importância da separação.
Ao ouvir que uma garrafa PET descartada corretamente pode ser reciclada e transformada em uma nova garrafa, Sakib afirmou ter entendido que esse processo ajuda o meio ambiente.
Estrangeiros fizeram teste de separação do lixo
Os três tiveram que classificar diferentes objetos entre categorias como lixo incinerável, não incinerável, plástico e materiais recicláveis.
Entre os itens estavam embalagens de produtos, latas de spray, cabides, frigideiras e garrafas.
Também aprenderam sobre o uso dos sacos determinados pelo município e as regras relacionadas aos dias, horários e locais de coleta.
Após a atividade, o responsável avaliou a separação feita pelos três como perfeita.
Nursad contou que havia chegado a Nagasaki apenas uma semana antes e estava preocupado justamente com a maneira correta de separar o lixo. Segundo ele, foi bom conseguir resolver essa dúvida.
Aprendizado foi colocado em prática imediatamente
Ao voltarem para o quarto, os jovens começaram a aplicar o que haviam aprendido.
Eles retiraram os rótulos das garrafas PET, lavaram as embalagens e fizeram a separação corretamente.
Noda reconheceu, porém, que ainda existe dificuldade para transmitir as regras de descarte de lixo às pessoas que chegam de outros países. Segundo ele, é necessário pensar em maneiras melhores de comunicar essas informações.
Crianças japonesas também ajudam na adaptação
A preparação não acontece apenas dentro da sala de aula.
Em junho, os três participaram de uma atividade de programação com crianças da região no espaço Tec-nova Nagasaki, localizado no Nagasaki Stadium City.
O grupo recebeu a tarefa de programar robôs para que realizassem determinados movimentos.
Mesmo diante da barreira do idioma, as crianças conversaram naturalmente com os estrangeiros. Quando surgiu o nome do V-Varen Nagasaki, os jovens reconheceram o time de futebol da cidade e disseram que também torciam pela equipe.
A atividade foi criada após um pedido de outros trabalhadores de Bangladesh que haviam chegado a Nagasaki um ano antes.
Sakib afirmou que, apesar de ainda entender pouco japonês, conversar com as crianças permite aprender muitas coisas.
Número de trabalhadores estrangeiros bate recorde em Nagasaki
Segundo o Escritório do Trabalho de Nagasaki, havia 12.807 trabalhadores estrangeiros na província no fim de outubro de 2025.
O número cresceu pelo quarto ano consecutivo e atingiu o maior nível já registrado.
Bangladesh forma muitos profissionais qualificados na área de tecnologia da informação, e desde o ano fiscal de 2024 a província de Nagasaki vem intensificando esforços para ampliar a contratação desses trabalhadores pelas empresas locais.
Universidade vê diversidade como oportunidade
O presidente da Universidade de Nagasaki, Takeshi Nagayasu, destacou que receber pessoas de diferentes culturas também pode trazer benefícios para a sociedade japonesa.
Segundo ele, o contato com diferentes culturas gera novos estímulos e pode contribuir para o surgimento de inovação.
Os três jovens continuam estudando o japonês que precisarão utilizar profissionalmente. A previsão é que comecem a trabalhar em suas respectivas empresas em outubro.
Adaptação também exige compreensão dos japoneses
A reportagem destaca que pessoas criadas em ambientes diferentes nem sempre compartilham aquilo que cada sociedade considera normal ou óbvio.
No caso dos muçulmanos, por exemplo, é importante garantir horários e locais para as orações. Também existe a necessidade de considerar a alimentação halal, que não utiliza carne de porco ou álcool.
Por isso, a adaptação não depende apenas de os estrangeiros aprenderem as regras japonesas.
Com o aumento da população estrangeira, a reportagem destaca que respeitar a cultura de quem chega e compreender as diferenças nos hábitos cotidianos também é um primeiro passo para a convivência entre japoneses e estrangeiros.
Foto: Reprodução

