Um especialista em sistema imperial do Japão afirmou que a ideia de que apenas homens da linhagem paterna podem ocupar o trono “distorce deliberadamente a história”.
A análise é do professor Naotaka Kimizuka, da Universidade Komazawa, que participou de discussões do governo sobre o tema em 2021.
A regra atual, que limita a sucessão ao trono a homens da linhagem paterna, foi estabelecida em 1889 com a criação da Lei da Casa Imperial. Essa regra representa apenas uma pequena parte da longa história da família imperial, que remonta a cerca de 1.500 anos.
Nesse período, o Japão teve oito imperatrizes reinantes. Mesmo assim, estudos mostram que essas governantes foram frequentemente subestimadas e tratadas como soluções temporárias — o que não corresponde à realidade.
Um exemplo é a imperatriz Empress Suiko, a primeira mulher a ocupar o trono. Ela assumiu o poder por volta dos 40 anos. Governou por 36 anos e ajudou a consolidar as bases de um Estado centralizado.
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Políticas importantes, como o envio de missões diplomáticas à China e a introdução do budismo, foram atribuídas ao príncipe Shotoku. No entanto, pesquisas indicam que tiveram forte liderança da própria imperatriz.
Posteriormente, a influência do pensamento confucionista — que restringia o poder político aos homens — contribuiu para a ausência de imperatrizes por um longo período.
Após a imperatriz Shotoku, no período Nara, o Japão só voltou a ter mulheres no trono durante o período Edo, com as imperatrizes Meisho e Go-Sakuramachi.
Diante desse histórico, o professor afirma que a ideia de uma tradição contínua baseada exclusivamente em homens da linhagem paterna não se sustenta.
Atualmente, muitos países europeus adotam o sistema de primogenitura absoluta, no qual o trono é herdado pelo filho mais velho, independentemente do gênero.
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