A instabilidade no fornecimento de petróleo e gás natural provocada pela tensão no Oriente Médio começou a gerar preocupação sobre possíveis impactos nos preços dos alimentos no Japão e em outros países.
O motivo está ligado à produção de fertilizantes nitrogenados, usados em larga escala na agricultura. O fertilizante mais comum desse tipo, a ureia, é fabricado a partir da amônia, substância produzida com derivados de petróleo e gás natural.
Segundo a análise, a agricultura moderna depende fortemente desse processo. Embora o nitrogênio exista em grande quantidade no ar, as plantas não conseguem utilizá-lo diretamente.
No início do século XX, cientistas desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar o nitrogênio do ar em amônia artificial. A descoberta permitiu a produção em massa de fertilizantes e ampliou drasticamente a produção mundial de alimentos.
Por causa disso, qualquer instabilidade no fornecimento de petróleo ou gás natural também pode afetar a fabricação de fertilizantes.
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Especialistas alertam que, se a crise no Oriente Médio continuar, o mundo poderá enfrentar aumento nos preços dos alimentos e até risco de escassez em regiões mais vulneráveis, como partes da África e do sul da Ásia.
Além da agricultura, amônia e ureia também são usadas em diversos setores industriais. Entre eles estão combustíveis, produtos químicos, fibras sintéticas, plásticos e medicamentos.
Os especialistas lembram ainda que algo semelhante aconteceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Na época, problemas no fornecimento de gás natural e fertilizantes elevaram os preços agrícolas em vários países.
Segundo a análise, mesmo que o Japão afirme possuir reservas suficientes de petróleo, o problema atual vai além do combustível.
A preocupação envolve toda a cadeia internacional de suprimentos, incluindo fertilizantes, produtos químicos e alimentos.
Especialistas também alertam que o Japão pode ser particularmente vulnerável por possuir baixa taxa de autossuficiência alimentar e depender fortemente de importações.
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