Casos de doença pulmonar por NTM aumentam no Japão 

Casos de doença pulmonar por MNT (NTM症) aumentam no Japão. Mais de 20 mil novos casos são registrados por ano, principalmente entre mulheres acima dos 50 anos.
Purple bacteria on a dark brown background accompanies health news about rising NTM-related lung disease in Japan.

Uma doença infecciosa que pode causar tosse persistente e se agravar lentamente ao longo dos anos está aumentando no Japão. Conhecida como doença pulmonar causada por micobactérias não tuberculosas, chamadas de MNT no Brasil e NTM no Japão, ela afeta principalmente mulheres de meia-idade e idosas. Mais de 20 mil novos casos são registrados por ano no país.

Uma mulher de 61 anos entrevistada pela TV Asahi recebeu o diagnóstico aos 39 anos e convive com a doença há mais de duas décadas.

Segundo ela, a tosse foi o sintoma mais intenso, mas também surgiram dores no peito e nas costas, suor noturno e presença de sangue no catarro.

As crises de tosse chegaram a dificultar o trabalho, os deslocamentos de trem e até o sono.

Ao receber o diagnóstico, a mulher foi informada de que não precisava se preocupar em transmitir a doença para outras pessoas. O que mais a abalou, porém, foi saber da dificuldade do tratamento e da possibilidade de a condição piorar gradualmente ao longo dos anos.

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NTM症 (hikekkakusei kōsankinshō – 非結核性抗酸菌症) é provocada por micobactérias diferentes daquela responsável pela tuberculose. 

Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, essas bactérias podem ser encontradas no ambiente, incluindo áreas com água, como chuveiros, e também no solo. A infecção pode ocorrer quando partículas contendo as bactérias são inaladas.

A doença não é considerada transmissível de pessoa para pessoa.

Os casos vêm aumentando rapidamente no Japão. Atualmente, estima-se que mais de 200 mil pessoas tenham desenvolvido a doença, aproximadamente uma em cada 500 pessoas no país.

Mais de 20 mil novos casos são registrados anualmente, número cerca de três vezes maior que há 20 anos.

Um médico entrevistado pela reportagem afirmou que, há cerca de 30 anos, a doença ainda era considerada rara. Atualmente, ele atende aproximadamente um paciente por semana, mostrando como a condição se tornou mais presente na rotina dos consultórios.

Mais de 2 mil mortes por ano

O tratamento pode exigir medicamentos fortes e prolongados, e eliminar completamente as bactérias pode ser difícil. Mesmo após o tratamento, também existe a possibilidade de a doença voltar.

Desde 2017, mais de 2 mil mortes por ano são associadas à doença no Japão.

Dados de 2024 mostram maior ocorrência entre pessoas com 50 anos ou mais, especialmente mulheres.

Segundo o médico ouvido pela reportagem, entre as mulheres a doença aparece com maior frequência em idosas de baixo peso. Pessoas que têm contato frequente com água ou solo, inclusive por trabalho ou jardinagem, também apresentam maior exposição às bactérias.

Governo inicia campanha de conscientização

O Ministério da Saúde iniciou em 24 de setembro uma campanha para aumentar o conhecimento sobre a doença e incentivar pessoas com sintomas a procurar atendimento médico mais cedo.

É a primeira vez que o Japão realiza uma campanha de conscientização especificamente sobre a doença por NTM.

Fonte: TV Asahi

Foto: Reprodução

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