A Polícia Metropolitana de Tóquio iniciou uma ampla revisão das faixas centrais amarelas existentes nas ruas da capital. A medida ocorre depois que novas regras aumentaram a circulação de bicicletas nas pistas destinadas aos veículos e criaram uma situação inesperada: ao tentar manter uma distância segura dos ciclistas durante as ultrapassagens, muitos motoristas acabam atravessando a linha amarela e cometendo uma infração.
Em abril deste ano, entrou em vigor o sistema da “multa azul”, que permite aplicar multas administrativas a determinadas infrações cometidas por ciclistas, inclusive relacionadas à circulação pelas calçadas.
Com isso, o uso da pista destinada aos veículos passou a ser ainda mais incentivado para as bicicletas.
Ao mesmo tempo, foi estabelecida como referência para os motoristas uma distância de pelo menos 1 metro ao ultrapassar uma bicicleta. Outra possibilidade é reduzir a velocidade para aproximadamente 20 km/h a 30 km/h durante a ultrapassagem.
O problema aparece principalmente em ruas mais estreitas.
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Em junho, uma investigação realizada em uma rua relativamente estreita de Nakano, em Tóquio, constatou que muitos veículos atravessavam significativamente a linha central amarela para manter distância das bicicletas durante a ultrapassagem.
No Japão, a faixa central amarela indica que o veículo não pode atravessá-la para realizar uma ultrapassagem.
Assim, ao tentar aumentar a segurança do ciclista, motoristas passaram a cometer outra infração.
A reportagem reproduziu uma ultrapassagem mantendo exatamente 1 metro entre o veículo e a bicicleta.
Tanto o motorista quanto o ciclista consideraram a distância desconfortável e perigosa. O motorista relatou ainda dificuldade para visualizar a bicicleta durante a manobra.
Segundo a investigação, esse receio ajuda a explicar por que muitos condutores deixam uma distância ainda maior e acabam atravessando a linha central.
Em um trecho, cerca de 90% atravessaram a faixa
A reportagem ampliou a investigação para cinco locais de Nakano.
As equipes observaram o trânsito durante quatro horas pela manhã e outras quatro horas no período da tarde em dias úteis.
Além das infrações relacionadas às faixas amarelas, foram registradas situações de risco.
Em uma delas, um caminhão tentou virar à esquerda sem manter distância suficiente de uma bicicleta e quase houve uma colisão.
Também foram observados diversos veículos deixando aproximadamente o espaço equivalente à largura de um carro ao ultrapassar ciclistas. Para conseguir essa distância, atravessavam completamente a faixa central amarela.
Em um dos cinco pontos analisados, 21 dos 24 veículos observados atravessaram a faixa durante a ultrapassagem de bicicletas, aproximadamente 90%.
Carros estacionados complicam ainda mais a situação
A investigação identificou outro problema em ruas onde existem veículos estacionados.
Atravessar a faixa central para evitar um obstáculo, como um veículo parado, é permitido.
Porém, quando uma bicicleta também precisa desviar desse obstáculo, alguns motoristas aumentam ainda mais a distância durante a ultrapassagem e avançam significativamente sobre a pista contrária.
Essa combinação entre ruas estreitas, bicicletas e veículos estacionados tornou mais evidente a dificuldade de cumprir simultaneamente as diferentes regras.
Tóquio pode revisar metade de 1.700 quilômetros de faixas amarelas
Após as investigações anteriores e pedidos da população, a Polícia Metropolitana de Tóquio começou a verificar se parte das faixas centrais amarelas deve ser substituída por faixas brancas, que permitem atravessar a divisão da pista durante ultrapassagens quando a situação possibilita a manobra.
Os policiais estão percorrendo as ruas de bicicleta para verificar individualmente as condições das vias, a sinalização e os trechos com faixas amarelas.
Segundo um dirigente da Polícia Metropolitana ouvido pela reportagem, aproximadamente metade dos cerca de 1.700 quilômetros de vias sujeitas a esse tipo de regulamentação deverá passar por revisão.
O trabalho deverá ser realizado ao longo de vários anos.
Mudança pode custar centenas de milhões de ienes
Segundo a reportagem, o custo normal para repintar 1 quilômetro de faixa central pode chegar a centenas de milhares de ienes.
Caso metade de todas as faixas amarelas de Tóquio seja efetivamente transformada em branca, o custo total poderá alcançar centenas de milhões de ienes.
Em Nakano, onde a reportagem realizou parte da investigação, já foi decidido que todas as faixas centrais analisadas serão repintadas de branco.
Mudança também pode chegar a outras regiões do Japão
A Agência Nacional de Polícia, responsável pela supervisão das forças policiais em todo o país, afirmou estar ciente de que algumas regiões começaram a levantar preocupações após a implementação das novas medidas.
O órgão, porém, não possui números específicos sobre quantos casos existem no país.
Segundo a agência, quando surgirem problemas, as autoridades devem considerar, conforme necessário, a retirada das restrições existentes.
Ciclistas ainda enfrentam dificuldades para circular nas ruas
A investigação também mostrou situações em que os próprios ciclistas não sabiam claramente por onde seguir.
Em uma delas, um ciclista se aproximou da traseira de um ônibus, verificou o trânsito atrás e hesitou sobre como passar entre o ônibus e os demais veículos. No fim, decidiu entrar na calçada.
Ciclistas entrevistados disseram sentir medo devido à proximidade dos automóveis e relataram situações em que entram temporariamente na calçada quando encontram veículos estacionados.
Motoristas também demonstraram preocupação, principalmente com bicicletas que circulam em velocidades elevadas.
Polícia busca criar mais espaços para bicicletas
A Polícia Metropolitana de Tóquio pretende continuar ampliando faixas exclusivas ou espaços sinalizados para bicicletas.
Nas ruas onde não existe largura suficiente para criar uma faixa específica, a intenção é utilizar marcas de orientação com setas para indicar onde as bicicletas devem circular.
A reportagem destaca que a redução da circulação de bicicletas nas calçadas contribuiu para diminuir acidentes envolvendo pedestres. O novo desafio é garantir a segurança dos ciclistas que passaram a dividir mais espaço com os veículos.
Foto: Reprodução

