O preço da carne bovina continua subindo no Japão, pressionando restaurantes e aumentando as preocupações com novos reajustes para os consumidores. Segundo especialistas, a combinação entre a seca histórica nos Estados Unidos e a desvalorização do iene elevou significativamente o custo da carne importada, cenário que pode se manter por pelo menos mais um ano.
O aumento já afeta redes de rodízio e restaurantes especializados em yakiniku, que buscam alternativas para evitar grandes reajustes nos preços.
Dados da Organização para Promoção da Agricultura e Pecuária do Japão mostram que o preço de importação da paleta bovina congelada dos Estados Unidos passou de ¥1.698 por quilo, em abril de 2025, para ¥2.258 por quilo em abril de 2026.
Em alguns cortes, a alta foi ainda maior.
Em um restaurante de rodízio de yakiniku na cidade de Izumisano, província de Osaka, o preço de compra da harami (fraldinha bovina), um dos cortes mais populares entre os japoneses, praticamente triplicou em apenas dois anos.
Segundo o proprietário, o custo está tão elevado que o corte passou a comprometer a rentabilidade do restaurante.
Apesar da alta dos custos, o restaurante evitou grandes aumentos de preços para não perder clientes.
Em vez disso, optou por realizar pequenos reajustes de ¥100, repetidos três vezes ao longo do período.
Outra estratégia foi ampliar bastante o cardápio de acompanhamentos.
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Hoje, além das carnes, o restaurante oferece mais de 120 opções, incluindo takoyaki, karaaguê, guioza, ramen, udon e outros pratos.
Segundo o proprietário, a ideia é ampliar as opções para os clientes e reduzir, naturalmente, o consumo de carne bovina.
A principal causa da alta está nos Estados Unidos, um dos maiores fornecedores de carne bovina para o mercado japonês.
O estado da Virgínia enfrenta o terceiro ano consecutivo de seca severa. Em algumas regiões, a falta de chuva já é considerada a pior desde 1941.
Com menos pastagem disponível, muitos pecuaristas precisaram comprar ração e feno, cujo preço aumentou cerca de 70%.
Outros reduziram seus rebanhos para diminuir os custos, o que também reduziu a oferta de carne bovina.
Segundo produtores entrevistados, esse cenário deve manter os preços elevados por um período prolongado.
Iene desvalorizado agrava situação
Além da alta internacional, o Japão enfrenta um problema adicional.
De acordo com Yasufumi Miwa, especialista-chefe do Instituto de Pesquisa do Japão, a desvalorização do iene funciona como um “duplo impacto”.
Mesmo quando a carne já está mais cara nos Estados Unidos, o Japão ainda paga mais pela importação devido ao câmbio desfavorável.
Na avaliação do especialista, não há fatores que indiquem uma queda significativa dos preços no curto prazo.
Com a carne bovina cada vez mais cara, alguns restaurantes começaram a apostar na carne de cordeiro como alternativa.
Segundo comerciantes, além de custar menos que a carne bovina, os avanços na tecnologia de congelamento reduziram o odor característico da carne de cordeiro, tornando o produto mais atrativo para os consumidores.
Especialistas acreditam que outros alimentos ricos em proteína, como carnes alternativas e até grãos, também poderão ganhar espaço caso a alta da carne bovina continue.
Em termos simples
O Japão importa uma grande quantidade de carne bovina dos Estados Unidos. Quando a produção americana diminui por causa de problemas climáticos, como a seca, o preço da carne sobe no mercado internacional.
Como o iene continua desvalorizado frente ao dólar, importar carne ficou ainda mais caro. Esse aumento acaba chegando aos restaurantes e, aos poucos, pode ser repassado aos consumidores por meio de refeições e produtos mais caros. Se o cenário atual persistir, a tendência é que a carne bovina continue pressionando o custo de vida no Japão nos próximos meses.
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