O preço do arroz no Japão deve continuar em queda nos próximos meses, segundo uma pesquisa divulgada com produtores, cooperativas e distribuidores. Enquanto consumidores comemoram a perspectiva de pagar menos pelo principal alimento da mesa japonesa, agricultores alertam que a redução dos preços, somada ao aumento dos custos de produção, pode levar muitos produtores a abandonar a atividade.
Uma pesquisa realizada com produtores de arroz, cooperativas agrícolas e atacadistas mostrou que o índice que mede a expectativa para os preços nos próximos três meses caiu para o menor nível desde o início do levantamento, ficando abaixo até mesmo do recorde negativo registrado no mês anterior.
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Na prática, o mercado espera que o preço do arroz continue recuando à medida que a nova safra chega aos supermercados.
Para os consumidores, a perspectiva é positiva. Muitos entrevistados pela imprensa japonesa disseram esperar que o arroz fique mais acessível após meses de preços elevados.
Enquanto o mercado prevê preços menores, agricultores iniciaram a colheita sem saber quanto receberão pela produção.
Na província de Fukui, onde a colheita da variedade de arroz Hanaechizen já começou, produtores afirmam que o cenário mudou completamente em relação ao ano passado.
Durante a escassez de arroz registrada em 2025, compradores disputavam a produção diretamente nas propriedades. Um agricultor relatou que, na safra anterior, cerca de seis caminhões chegaram a formar fila para negociar a compra do arroz ainda na fazenda.
Neste ano, porém, nenhum comprador apareceu no primeiro dia da colheita.
Agricultores recebem menos
Além da queda esperada no preço do arroz, muitos produtores ainda não sabem quanto receberão pela safra.
Em Chiba, agricultores informaram que a cooperativa JA Zen-Noh Chiba apresentou um adiantamento de aproximadamente ¥18 mil por saco de 60 quilos da variedade Koshihikari, valor significativamente inferior ao do ano passado e abaixo da expectativa de muitos produtores, que esperavam algo próximo de ¥20 mil.
Já em Fukui, a cooperativa JA Fukui ainda não anunciou o valor do chamado gaisankin, pagamento antecipado que serve como referência inicial para a remuneração dos agricultores.
Alguns produtores estimam que o valor final possa ficar em torno de ¥16 mil por 60 quilos, enquanto o custo de produção é estimado entre ¥22 mil e ¥23 mil, o que representaria prejuízo para boa parte das propriedades.
Custos continuam elevados
A queda do preço preocupa ainda mais porque os custos continuam aumentando.
Um agricultor de Fukui informou ter gasto cerca de ¥9 milhões apenas com fertilizantes neste ano, aproximadamente o dobro do desembolso do ano passado.
Além disso, os gastos com combustíveis, máquinas agrícolas e outros insumos continuam elevados, reduzindo ainda mais a margem de lucro dos produtores.
Segundo os agricultores, diante desse cenário, muitos investimentos estão sendo adiados e há quem já considere abandonar a atividade.
Agricultores pensam em desistir
Produtores entrevistados afirmaram que a situação se tornou insustentável.
Segundo eles, vender o arroz por um valor inferior ao custo de produção significa acumular prejuízos mesmo após meses de trabalho.
Um agricultor afirmou acreditar que muitos produtores poderão deixar o cultivo de arroz já após esta safra.
Outro foi ainda mais duro ao comentar a atuação do governo.
“Já não espero mais nada do governo”, disse, acrescentando que perdeu a confiança nas políticas voltadas ao setor agrícola.
Estoques aumentam pressão
Outro fator que contribui para a queda dos preços é o elevado volume de arroz ainda armazenado.
Segundo a JA Fukui, aproximadamente um terço da safra do ano passado continua nos armazéns sem ter sido entregue aos atacadistas.
Embora boa parte desse arroz já tenha compradores definidos, o consumo desacelerou após a forte alta dos preços registrada no último ano, atrasando as entregas.
Diante desse cenário, a cooperativa ainda não definiu quanto pagará aos agricultores pela nova safra e informou que discutirá o valor do gaisankin em uma reunião extraordinária marcada para 13 de agosto.
O desafio da JA
A definição do preço da nova safra coloca as cooperativas agrícolas diante de um difícil equilíbrio.
De um lado, consumidores esperam que o arroz fique mais barato para aliviar o custo de vida.
Do outro, agricultores afirmam que precisam de preços mais altos para cobrir os custos de produção e continuar cultivando.
A decisão que será tomada pelas cooperativas poderá influenciar não apenas o preço da safra deste ano, mas também o futuro da produção de arroz em importantes regiões agrícolas do Japão.
Em termos simples
O Japão vive uma situação incomum. Depois da escassez de arroz registrada no ano passado, a produção voltou a crescer e a oferta aumentou. Como consequência, os preços começaram a cair, o que beneficia os consumidores.
Para os agricultores, porém, a realidade é diferente. Fertilizantes, combustíveis, máquinas agrícolas e outros insumos continuam muito mais caros do que há alguns anos. Se o preço recebido pela produção cair abaixo do custo para cultivar o arroz, muitos produtores poderão deixar a atividade.
O desafio do governo e das cooperativas agrícolas será encontrar um equilíbrio entre manter o arroz acessível para a população e garantir renda suficiente para que os agricultores continuem produzindo um alimento considerado estratégico para a segurança alimentar do Japão.
Foto: Reprodução

