O impacto da guerra no Oriente Médio já começa a atingir diretamente a vida cotidiana no Japão. O bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, está provocando efeitos em cadeia que vão desde a indústria alimentícia até serviços básicos.
No dia 2 de março, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou o bloqueio do estreito — responsável por cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. A organização declarou que qualquer embarcação precisaria de autorização iraniana para atravessar a região. Desde então, ataques com mísseis e drones contra petroleiros têm sido registrados.
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Após operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o país intensificou suas ações. Como consequência, diversas companhias marítimas suspenderam temporariamente a navegação na região.
Esse cenário já afeta setores inesperados. No dia 12 de março, a fabricante japonesa Yamayoshi anunciou a paralisação temporária de sua produção, incluindo o popular snack “Wasabeef”. A empresa enfrenta dificuldades para obter óleo pesado, essencial no processo de fabricação de seus produtos. Além do Wasabeef, outras linhas como “Shio Beef” e “Mentai Mayo Beef” também tiveram a produção interrompida.
A escassez levou à especulação no mercado secundário. Em plataformas como o Mercari, pacotes que custam cerca de 160 ienes passaram a ser revendidos por valores significativamente superiores.
O problema vai além dos alimentos. O aumento no preço do óleo pesado também impacta diretamente os tradicionais banhos públicos (sento), que utilizam esse combustível para aquecer a água.
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Segundo a associação de casas de banho da província de Aichi, cada estabelecimento consome entre 200 e 300 litros de óleo por dia. O preço, que vinha se mantendo na faixa de 100 ienes por litro, subiu para mais de 130 ienes após o bloqueio.
Diante disso, muitos estabelecimentos já consideram reduzir horários de funcionamento ou aumentar os dias de folga. O setor classifica a situação como emergencial.
A crise também começa a atingir a indústria automotiva. A Nissan, por exemplo, anunciou a redução de cerca de 1.200 veículos em sua produção no Japão devido às dificuldades logísticas para exportação ao Oriente Médio — um mercado importante, especialmente para modelos SUV de alta rentabilidade.
O bloqueio do Estreito de Ormuz evidencia como conflitos geopolíticos podem rapidamente se transformar em problemas concretos no cotidiano, afetando desde produtos simples até setores estratégicos da economia.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução
