Proibição de bola, proibição de bicicleta, agora até limite de idade… Parques no Japão enfrentam excesso de regras e especialistas alertam para situação preocupante
Os parques no Japão vêm enfrentando diversos desafios. Entre eles, conflitos com moradores vizinhos e regras cada vez mais rígidas que limitam a liberdade das crianças para brincar. Espaços que antes ecoavam com risadas infantis passaram a ser vistos como locais repletos de restrições. O programa “ABEMA Prime” debateu o tema com especialistas e moradores que vivem próximos a parques.
Uma das marcas dos parques atuais é a quantidade de placas com proibições. O professor associado Kyohei Kitamura, da Universidade de Ciências de Tóquio, que estuda parques no Japão e no exterior, afirma que desde os anos 2000 houve um aumento significativo dessas restrições. Em alguns locais, até o tipo de vestimenta é especificado. Bicicletas e bolas são frequentemente proibidas, tornando o espaço menos atrativo para as crianças.
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Segundo Kitamura, essa rigidez tem raízes históricas. Antigos “parques infantis” passaram, após reformas legais nos anos 1990, a ser classificados como “parques de bairro”, destinados a todas as faixas etárias. Com o aumento de acidentes envolvendo brinquedos antigos e processos judiciais, as administrações passaram a priorizar a redução de riscos.
Um fenômeno considerado peculiar no Japão é a presença de adesivos de “limite de idade” nos brinquedos. Desde cerca de 2002, associações do setor passaram a classificar equipamentos por faixa etária, como 3 a 6 anos e 6 a 12 anos. Esse tipo de segmentação é raro em outros países.
O comediante Rintaro, do grupo EXIT, relatou que já foi advertido por pisar na grama ao passear com o cachorro, descrevendo um ambiente de fiscalização constante. Para ele, há uma sensação de controle excessivo.
Por outro lado, moradores que vivem ao redor dos parques afirmam que o problema do barulho é real. Uma participante do programa contou que convive há 12 anos com ruídos constantes, principalmente de crianças de creches que utilizam o espaço durante a semana. Em épocas de eventos escolares, caixas de som e ensaios de dança intensificam o incômodo.
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Outro morador relatou que, além das crianças, adultos também contribuem para o problema ao não controlar comportamentos inadequados. Para ele, por ser um espaço público, não significa que tudo seja permitido, e defende que, se não houver controle, talvez o parque devesse ser fechado.
No meio dessa tensão entre reclamações e regulamentações, o espaço de lazer das crianças vem sendo reduzido. O próprio professor Kitamura, pai de três filhos, afirmou que muitas vezes não há onde as crianças possam andar de bicicleta ou brincar livremente, pois parques próximos passaram a proibir essas atividades após queixas de idosos.
Como alternativa, foi apresentado o exemplo do Hanegi Play Park, em Setagaya, onde a proposta é “brincar livremente sob responsabilidade própria”. No local, há menos barreiras físicas, e atividades como fogueiras e trabalhos manuais são permitidas. A ideia é estimular a capacidade das próprias crianças de reconhecer riscos.
A ativista Momoko Nojo destacou que, nesses ambientes, as crianças demonstram vitalidade e autonomia, pois não precisam agir sob constante vigilância de adultos.
O deputado Kenta Izumi apontou que, com o envelhecimento da população, há mais idosos do que crianças no país, o que influencia as decisões sobre segurança. Segundo ele, é necessário redefinir socialmente os parques como espaços prioritários para a liberdade infantil.
Encerrando o debate, Kitamura comparou a situação com parques da Alemanha e Dinamarca, onde há mais contato com a natureza e liberdade para brincar na lama e explorar o ambiente. No Japão, ele observa que muitas crianças acabam restritas a jogos eletrônicos. Para ele, é urgente repensar os parques para garantir espaços mais ricos e saudáveis para o desenvolvimento físico e social das próximas gerações.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

