O presidente e CEO do grupo Rakuten, Hiroshi Mikitani, alertou diretamente a primeira-ministra Sanae Takaichi de que o Japão já entrou em uma “crise do iene”. A informação foi revelada pelo próprio Mikitani em entrevista à revista Shukan Bunshun. Líder de um conglomerado com faturamento superior a 2 trilhões de ienes e representante do setor empresarial como presidente da Nova Federação Econômica, Mikitani afirma estar profundamente preocupado com a direção da política econômica do atual governo.
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Segundo ele, no dia 13 de janeiro, enviou uma mensagem direta à primeira-ministra com um tom de urgência. No texto, Mikitani afirma que a crise do iene já começou por dois motivos centrais: o agravamento das finanças públicas causado por políticas de gastos excessivos e o risco de fuga de capitais provocado por uma tributação punitiva sobre ricos e investidores, levando também à saída de talentos do país. Ele destacou que o valor do iene, em termos de dólar, já caiu para cerca da metade e alertou que a inflação tende a acelerar ainda mais. Justificou o envio da mensagem dizendo que poucas pessoas estariam dispostas a “dizer a verdade” diretamente ao primeiro-ministro.
Até o dia 18 de janeiro, segundo Mikitani, nenhuma resposta havia sido recebida.
O alerta ocorre em meio à decisão do governo Takaichi de executar um pacote fiscal de cerca de 18 trilhões de ienes no orçamento suplementar de 2025, sendo mais de 60% financiados por novos títulos da dívida pública. Desde a formação do atual governo, o iene voltou a se desvalorizar, operando na faixa final de 150 ienes por dólar.
Mikitani afirmou que, caso essa política continue, o Japão pode enfrentar uma inflação acelerada e uma desvalorização ainda maior da moeda, com o câmbio podendo chegar a 180 ienes por dólar. Para ele, esse seria o pior cenário possível de uma “crise do iene”.
Às vésperas de uma possível dissolução da Câmara e novas eleições gerais, a advertência de um dos empresários mais influentes do país tende a gerar forte repercussão no debate econômico e político nacional.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

