A desvalorização do iene é apontada como um dos fatores que impulsionam a atual alta de preços no Japão. Mas qual é, de fato, o valor da moeda japonesa em comparação com outras moedas atualmente?
Um exemplo frequentemente utilizado para medir o poder de compra das moedas é o chamado “Índice Big Mac”. Em 25 de janeiro, o McDonald’s no Japão anunciou novo aumento de preços e o Big Mac passou de 480 para 500 ienes. Ainda assim, o hambúrguer continua relativamente barato quando comparado ao resto do mundo.
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O Índice Big Mac, criado pela revista britânica The Economist em 1986, compara o preço do mesmo produto em diferentes países para avaliar a valorização ou desvalorização das moedas. Antes do aumento, um Big Mac custava 480 ienes no Japão, enquanto nos Estados Unidos era vendido por 6,12 dólares — cerca de 970 ienes considerando a cotação de janeiro de 2026.
Isso significa que, na prática, o valor do iene corresponde a aproximadamente metade do valor do dólar. No ranking mais recente do índice, o Japão ocupa a 48ª posição entre 54 países analisados. Mesmo com o preço ajustado para 500 ienes, a posição praticamente não muda, refletindo a fragilidade da moeda japonesa.
Outro indicador que evidencia essa perda de valor é a taxa de câmbio efetiva real divulgada pelo Banco de Compensações Internacionais. Esse índice mede o poder de compra de uma moeda em relação a um conjunto de outras moedas. Em janeiro de 2026, o iene atingiu o nível mais baixo desde a adoção do sistema de câmbio flutuante em 1973.
Comparado ao pico registrado em 1995, o valor do iene caiu para cerca de um terço. Naquela época, a situação era praticamente inversa: pelo Índice Big Mac, o hambúrguer japonês custava o dobro do americano, indicando que o iene tinha aproximadamente o dobro do valor do dólar.
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Especialistas associam essa mudança ao longo período de estagnação econômica após o colapso da bolha imobiliária no início dos anos 1990, período conhecido como os “30 anos perdidos”. Para enfrentar esse cenário, o governo japonês adotou em 2013 o conjunto de políticas conhecido como Abenomics, que incluiu forte estímulo monetário e juros negativos. Essas medidas ajudaram a corrigir o problema da valorização excessiva do iene, mas também contribuíram para a atual tendência de desvalorização.
Com a chegada ao poder da primeira-ministra Sanae Takaichi, que defende políticas de estímulo fiscal ativo inspiradas no modelo de Abenomics, analistas apontam que o enfraquecimento do iene pode continuar.
Takaichi frequentemente cita como referência política a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. No entanto, Thatcher conduziu políticas de austeridade fiscal e aperto monetário para enfrentar a crise econômica do Reino Unido nos anos 1970, conhecida como “doença britânica”. Suas reformas acabaram contribuindo para a recuperação da moeda britânica.
Embora um câmbio desvalorizado beneficie exportadores, no caso japonês ele também eleva os preços domésticos, já que o país depende fortemente da importação de energia e matérias-primas.
O ex-editor-chefe da revista The Economist, Bill Emmott, afirmou em artigo que a prioridade do governo Takaichi deveria ser conter a inflação e estimular a valorização do iene. Segundo ele, se dentro de um ou dois anos a moeda continuar tão desvalorizada quanto hoje, isso indicará que a chamada “Dama de Ferro do Japão” não conseguiu recuperar a força da economia.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

