Empresas japonesas estão ampliando a reciclagem e desenvolvendo novas tecnologias para reduzir o uso de terras raras, materiais essenciais para equipamentos como aparelhos de ar-condicionado, smartphones e veículos elétricos. O movimento ganha importância diante das restrições chinesas às exportações e da elevada dependência japonesa do fornecimento vindo da China.
Ímãs produzidos com terras raras são utilizados em diferentes equipamentos que exigem motores potentes e eficientes.
Nos aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, esses ímãs ficam no motor do compressor, considerado uma das principais partes do equipamento. Com a necessidade crescente de aparelhos mais eficientes diante do calor intenso, esses componentes ganharam ainda mais importância.
O problema é a concentração da cadeia produtiva. A China domina principalmente o processamento e refino de terras raras e vem reforçando controles sobre as exportações em meio à deterioração das relações com o Japão, aumentando a preocupação com a estabilidade do fornecimento.
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Uma das alternativas adotadas pela indústria japonesa é recuperar terras raras de equipamentos descartados.
Desde junho, a Mitsubishi Electric iniciou um sistema de reciclagem das terras raras utilizadas em aparelhos de ar-condicionado domésticos. Componentes que anteriormente eram descartados como sucata passam a ser recuperados e reaproveitados na fabricação de novos ímãs.
Segundo estimativas da Mitsubishi Electric, a reciclagem poderá fornecer 35% das terras raras necessárias, reduzindo para 65% a parcela que precisará ser obtida por meio de novas compras.
A empresa afirma que novos ímãs produzidos com material reciclado já estão prontos e deverão começar a ser utilizados nos próximos meses.
Proterial desenvolve ímã sem terras raras pesadas
Outra frente é reduzir a quantidade de diferentes terras raras utilizadas na fabricação de ímãs.
O neodímio, um dos 17 elementos classificados como terras raras, é usado para produzir ímãs extremamente potentes. Eles são encontrados em smartphones e em motores de veículos elétricos, entre outras aplicações.
Um dos problemas desses ímãs é a temperatura. Durante o funcionamento de um motor, o calor transmitido ao ímã pode chegar a cerca de 200°C, reduzindo sua força magnética.
Para aumentar a resistência térmica, normalmente são utilizadas outras terras raras, como o disprósio, pertencente ao grupo das chamadas terras raras pesadas.
Segundo a reportagem, o Japão depende 100% da China para o fornecimento de terras raras pesadas, aumentando a vulnerabilidade diante de restrições comerciais.
A Proterial desenvolveu um ímã que mantém elevada resistência ao calor sem utilizar terras raras pesadas. A empresa afirma ter alcançado esse resultado controlando a estrutura interna do material e evitando a entrada de impurezas durante o processo de fabricação.
A tecnologia já é utilizada em motores que precisam operar em ambientes de alta temperatura, incluindo aplicações em veículos elétricos.
Motores sem terras raras já são utilizados em automóveis
A indústria automobilística também desenvolve motores que dispensam completamente as terras raras.
Uma fabricante de autopeças desenvolveu motores utilizando ímãs de ferrite, cujo principal componente é o ferro. Ao combinar vários desses ímãs, a empresa conseguiu atingir desempenho igual ou superior ao de produtos convencionais que utilizam terras raras.
A tecnologia já é utilizada em motores de componentes como limpadores de para-brisa e tetos automotivos, e a intenção é ampliar sua aplicação para outras peças dos veículos.
Para os grandes motores responsáveis pela própria propulsão dos veículos elétricos, porém, eliminar as terras raras ainda é mais difícil.
A fabricante de autopeças Astemo anunciou no ano passado ter desenvolvido um motor de tração para veículos elétricos que não utiliza terras raras. A empresa pretende viabilizar comercialmente a tecnologia por volta de 2030.
Segurança econômica aumenta importância das alternativas
A redução da dependência das terras raras também se tornou uma questão de segurança econômica para o Japão.
Entre as estratégias estão diversificar os países fornecedores, substituir terras raras por outros materiais quando possível e ampliar a reciclagem.
O objetivo é criar diferentes alternativas para que setores importantes da economia japonesa não fiquem excessivamente dependentes de um único país ou de recursos cuja oferta pode ser afetada por restrições comerciais.
Foto: Reprodução

