Japão amplia contratação de estrangeiros para atendimento domiciliar de idosos, mas adesão ainda é baixa

O Japão passou a permitir estrangeiros no atendimento domiciliar de idosos, mas apenas 1,2% das empresas do setor receberam esses profissionais.
Headline: Japan expands hiring of foreign caregivers for at-home elder care; caregiver in a mask with an elderly woman.

A falta de profissionais continua sendo um problema no setor de cuidados de idosos no Japão. Para ampliar a mão de obra disponível, o governo passou a permitir que estrangeiros com o status de residência de Trabalhador Qualificado Específico atuem também no atendimento domiciliar. Apesar da mudança, apenas 1,2% das empresas do setor receberam trabalhadores estrangeiros para esse tipo de serviço.

Até a mudança promovida pelo governo, trabalhadores estrangeiros com o status de residência de Trabalhador Qualificado Específico (Tokutei Ginō) na área de cuidados de idosos atuavam apenas em instituições.

Em abril do ano passado, o governo ampliou essa possibilidade para incluir também os serviços de atendimento domiciliar.

A medida busca enfrentar dois problemas que afetam simultaneamente o setor: a falta de profissionais e o envelhecimento dos próprios trabalhadores que atuam na área.

Passado pouco mais de um ano desde a ampliação, porém, apenas 1,2% das empresas de atendimento domiciliar receberam cuidadores estrangeiros.

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Uma das dificuldades para ampliar a contratação está nas características do próprio atendimento domiciliar.

Diferentemente do trabalho realizado em instituições, o cuidador visita a residência do usuário e frequentemente trabalha sozinho, mantendo contato direto com o idoso.

A comunicação individual é inevitável, o que gera preocupação em relação ao idioma. Segundo a reportagem, alguns usuários também demonstram insegurança devido às diferenças culturais.

Indonésia chegou ao Japão há três anos

A reportagem acompanhou uma cuidadora de 28 anos, identificada como T., que veio da Indonésia para trabalhar no Japão.

Ela chegou ao país há três anos com o status de Trabalhador Qualificado Específico, com o objetivo de ajudar financeiramente a família que permanece na Indonésia.

Desde novembro do ano passado, trabalha em uma empresa de cuidados de idosos na província de Hyogo.

Entre as pessoas atendidas por ela está uma mulher de 92 anos que mora sozinha em um conjunto habitacional.

Trabalho vai além dos cuidados físicos

O atendimento domiciliar não envolve apenas auxílio com alimentação e banho.

Os profissionais também ajudam nas atividades necessárias para manter a vida cotidiana dos idosos, incluindo limpeza da residência, preparo de refeições e compras.

Essas tarefas podem representar um desafio adicional para trabalhadores vindos de países com hábitos diferentes.

A cuidadora contou, por exemplo, que utilizou um aspirador de pó pela primeira vez depois de chegar ao Japão. Segundo a reportagem, esse eletrodoméstico não é tão difundido nas residências da Indonésia quanto no Japão.

Por causa de diferenças culturais e de hábitos cotidianos como esse, o governo exige que as empresas que recebem estrangeiros com o status de Trabalhador Qualificado Específico ofereçam treinamento e acompanhamento durante a preparação para o trabalho.

Atualmente, a cuidadora já está acostumada à forma japonesa de realizar a limpeza.

A idosa de 92 anos atendida por ela afirmou estar agradecida pelo trabalho e disse que a profissional cuida de tudo cuidadosamente.

Profissional precisa tomar decisões sozinha

Outra característica do atendimento domiciliar é a necessidade de tomar decisões de acordo com cada situação, muitas vezes sem outro profissional por perto.

Em uma das visitas acompanhadas pela reportagem, a cuidadora recebeu a tarefa de fazer compras em um supermercado para outra pessoa atendida.

Ao procurar o papel higiênico solicitado, percebeu que o produto específico não estava disponível.

A situação também envolvia uma diferença cultural: ela explicou que o papel higiênico não é utilizado com tanta frequência na Indonésia.

Sem encontrar o produto solicitado, procurou um funcionário do supermercado, verificou o estoque e encontrou uma alternativa para levar ao usuário.

Em alguns dias, T. chega a visitar aproximadamente dez pessoas.

Segundo seu superior, muitos usuários pedem especificamente que ela faça o atendimento. Ele afirmou que não existe diferença em relação aos funcionários japoneses e que a profissional se tornou uma presença importante para a equipe.

Objetivo é conquistar qualificação nacional e continuar no Japão

Depois do trabalho, a cuidadora estuda em casa para o exame nacional de kaigo fukushishi, qualificação profissional japonesa para especialistas em cuidados de idosos.

Ela afirmou que memorizar o conteúdo dos livros é uma das partes mais difíceis da preparação.

Seu objetivo é obter a qualificação nacional durante o período de permanência como Trabalhadora Qualificada Específica e continuar trabalhando no atendimento domiciliar no Japão.

Segundo T., no início havia preocupação por ser estrangeira e não possuir experiência. Atualmente, ouvir dos idosos expressões de agradecimento e saber que conseguiu ajudá-los tornou o trabalho gratificante para ela.

Fonte: FNN

Foto: Reprodução

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