Mais da metade dos trabalhadores com emprego regular no Japão já enfrentou sintomas de fadiga relacionados ao verão. Entre os que sofreram com o problema no ano passado, quase dois em cada três disseram que o mal-estar prejudicou o trabalho.
A pesquisa da Mynavi ouviu 20.045 trabalhadores com idade entre 20 e 59 anos. Entre os entrevistados, 56,5% afirmaram que já passaram pela chamada natsubate (夏バテ), expressão japonesa usada para descrever o cansaço e outros problemas provocados pelo calor do verão.
Quando a pesquisa considerou apenas 2025, 38,1% disseram que sofreram com o problema.
Cansaço e falta de motivação estão entre os principais sintomas
A sensação de forte cansaço ou fadiga apareceu como o sintoma mais comum, mencionada por 51% das pessoas que tiveram natsubate no ano passado.
Outros problemas frequentes foram:
- falta de motivação ou desânimo: 40,8%;
- perda de apetite: 39,3%;
- dificuldade para dormir, sono leve ou insuficiente: 37,1%.
🔎 Procurando emprego no Japão? Confira as vagas disponíveis.
Entre os trabalhadores afetados, 64,4% disseram que os sintomas prejudicaram suas atividades profissionais.
Alguns relataram queda de concentração e redução da produtividade. Outros disseram que passaram a trabalhar em um ritmo mais lento, sentiram sono durante o expediente ou tiveram dificuldade para raciocinar por causa da falta de apetite e do cansaço. Mynavi
A pesquisa também mostrou uma diferença considerável entre sentir necessidade de descansar e conseguir, de fato, tirar uma folga.
Entre as pessoas que tiveram fadiga de verão em 2025, 70,2% afirmaram que sentiram vontade de faltar ao trabalho. Entretanto, somente 38,1% chegaram a descansar por causa do problema.
Isso significa que mais de 60% continuaram trabalhando mesmo depois de sentirem que precisavam de uma pausa.
Apenas um terço das empresas adota medidas específicas para ajudar os trabalhadores
A Mynavi também ouviu 829 empresários, executivos e funcionários responsáveis por contratações. Somente 32,7% disseram que suas empresas adotam medidas específicas contra a fadiga de verão.
Entre as iniciativas mencionadas estão:
- facilitar o acesso à água durante o expediente;
- distribuir bebidas e produtos para reposição de sal;
- ajustar adequadamente a temperatura do ar-condicionado;
- instalar geladeiras para os funcionários;
- flexibilizar as regras sobre roupas;
- ampliar as férias de verão;
- adotar medidas de prevenção contra a insolação.
Para os trabalhadores, a medida mais desejada seria criar um ambiente no qual as pessoas consigam descansar quando não se sentirem bem. Essa opção apareceu em 36,6% das respostas.
Em seguida vieram melhores condições para hidratação, com 36,3%, pausas mais frequentes, com 33,5%, e controle adequado do ar-condicionado, com 33,4%.
A Mynavi avalia que melhorar o ambiente de trabalho e permitir formas mais flexíveis de trabalhar pode ajudar a preservar a saúde dos funcionários e manter a produtividade durante o verão.
O natsubate não representa um diagnóstico médico específico. O termo descreve sintomas que a própria pessoa relaciona ao calor, à umidade e às diferenças de temperatura entre ambientes internos e externos.
O problema pode aparecer mesmo entre pessoas que trabalham em locais fechados. Noites mal dormidas, falta de apetite, desidratação e mudanças constantes entre áreas climatizadas e ambientes quentes também podem provocar cansaço, desânimo e dificuldade de concentração.
Foto: Reprodução

