As mudanças nas regras para a troca da carteira de motorista estrangeira pela habilitação japonesa já começam a produzir efeitos. Nove meses após o endurecimento das exigências, autoescolas em diferentes regiões do Japão registram aumento na procura por aulas preparatórias, enquanto o índice de aprovação nos exames caiu significativamente.
Como mostramos anteriormente, o governo japonês endureceu, em outubro do ano passado, as regras para a conversão da carteira de motorista estrangeira após críticas ao sistema anterior e ao aumento de acidentes envolvendo motoristas que obtiveram a habilitação por esse processo.
Antes da mudança, a prova teórica era composta por apenas dez questões ilustradas, sendo necessário acertar sete para ser aprovado. Também era possível realizar o procedimento mesmo com visto de turista, utilizando o endereço de um hotel no Japão.
Segundo a Agência Nacional de Polícia, mais de 75 mil pessoas converteram a carteira estrangeira para a japonesa em 2024, número 2,5 vezes maior que o registrado dez anos antes.
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Com a revisão das regras, a prova teórica passou a ter 50 questões, sem ilustrações, e o índice mínimo de aprovação subiu de 70% para 90%. Já o exame prático passou a incluir novas etapas, como a travessia de cruzamentos ferroviários e partidas em aclives, além de critérios de avaliação mais rigorosos.
Os reflexos apareceram rapidamente. De acordo com a Agência Nacional de Polícia, a taxa de aprovação na prova teórica caiu de 92,5% para 42,8%, enquanto a do exame prático passou de 30,4% para apenas 13,1%.
Em resposta, diversas autoescolas relatam aumento na procura por cursos específicos para estrangeiros. Em Takamatsu, na província de Kagawa, por exemplo, o número de alunos estrangeiros passou de cerca de 80 para aproximadamente 120 no último ano. Algumas instituições também começaram a produzir materiais didáticos com legendas em inglês para facilitar o aprendizado das regras de trânsito japonesas.
A reportagem acompanhou a preparação de uma mulher chinesa que vive na província de Chiba após se casar com um japonês. Acostumada a dirigir pela direita em seu país de origem, ela enfrentou dificuldades para se adaptar às regras japonesas, especialmente em conversões e posicionamento do veículo.
Ela foi aprovada na prova teórica em janeiro, mas reprovou no exame prático. Caso não consiga passar na próxima tentativa, terá que refazer também a prova teórica, pois o prazo de validade da aprovação expirará.
Segundo a motorista, obter a habilitação japonesa é essencial para sua rotina. Ela mora em uma região com poucas opções de transporte público, onde os ônibus passam apenas uma ou duas vezes por hora e o supermercado mais próximo fica a cerca de 30 minutos de carro, tornando o deslocamento diário dependente do marido.
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