Especialistas japoneses alertaram para o aumento de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) causadas por bactérias resistentes a antibióticos. O problema envolve doenças como gonorreia e infecções causadas pela bactéria Mycoplasma genitalium, que vêm se tornando mais difíceis de tratar nos últimos anos.
Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência bacteriana uma das maiores ameaças atuais à saúde pública. Estimativas indicam que, somente em 2019, cerca de 1,27 milhão de mortes no mundo ocorreram diretamente por causa de bactérias resistentes a medicamentos.
Segundo o urologista Takahiro Yoshida, diretor da Tokyo Lotus Clinic, em Tóquio, alguns antibióticos usados tradicionalmente no tratamento dessas ISTs estão perdendo eficácia.
Uso incorreto de antibióticos no tratamento das ISTs preocupa médicos
Um dos casos que mais preocupam os especialistas envolve a bactéria Mycoplasma genitalium. Ela pode causar uretrite e inflamações no colo do útero. De acordo com médicos japoneses, aumentou o número de cepas resistentes a antibióticos do grupo dos macrolídeos, como a azitromicina. Com isso, o tratamento se tornou mais difícil em alguns pacientes.
A gonorreia também apresenta resistência crescente. Antigamente, alguns casos eram tratados com medicamentos orais. Atualmente, porém, o tratamento principal utiliza antibióticos injetáveis, como a ceftriaxona.
Segundo os especialistas, o uso incorreto de antibióticos contribui diretamente para o surgimento das bactérias resistentes. Entre os exemplos mais comuns estão interromper o tratamento antes do prazo indicado ou reutilizar medicamentos antigos sem orientação médica.
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Além disso, os médicos explicam que esse comportamento permite que bactérias mais resistentes sobrevivam e continuem se multiplicando.
Por isso, especialistas reforçam a importância de identificar corretamente o microrganismo responsável pela infecção antes de iniciar o tratamento. Exames como PCR conseguem detectar bactérias específicas por meio de amostras de urina, gargarejo ou secreções coletadas com cotonete.
Segundo Yoshida, casos em que os sintomas continuam mesmo após o tratamento precisam passar por exames mais detalhados.
Os especialistas também alertam que o desaparecimento dos sintomas não significa necessariamente cura completa. Dependendo da infecção, o paciente pode precisar retornar ao médico e realizar novos exames para confirmar que a bactéria foi eliminada corretamente.
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