Especialistas em saúde pública e doenças infecciosas alertaram para a disseminação de informações falsas sobre o uso da ivermectina contra o hantavírus. O tema ganhou repercussão após casos recentes da doença em um cruzeiro, onde houve mortes e pessoas infectadas.
A polêmica começou depois que publicações nas redes sociais passaram a afirmar que a ivermectina poderia tratar o hantavírus por se tratar de um vírus de RNA. A principal divulgação veio da médica americana Mary Talley Bowden, conhecida por defender o uso do medicamento contra a Covid-19 durante a pandemia.
No entanto, médicos e pesquisadores afirmam que não existem estudos clínicos que comprovem a eficácia da ivermectina contra o hantavírus em seres humanos.
Além disso, a infectologista Dana Mazo, do Tisch Hospital, em Nova York, afirmou que esse tipo de desinformação pode gerar confusão e afastar pacientes de orientações realmente eficazes. Segundo ela, embora a ivermectina tenha mostrado resultados promissores em alguns testes laboratoriais envolvendo vírus de RNA, isso não significa que funcione em pacientes reais.
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Especialistas também criticaram a disseminação de teorias sem comprovação científica nas redes sociais. Algumas publicações chegaram a sugerir, sem apresentar evidências, que empresas farmacêuticas estariam manipulando o hantavírus para lucrar com futuras vacinas.
Por outro lado, médicos de diferentes instituições reforçaram que não há qualquer evidência clínica de que a ivermectina seja eficaz contra a doença. O infectologista Neil Stone, do University College Hospital de Londres, afirmou que o medicamento “não tem absolutamente nenhum efeito” contra o hantavírus.
A ivermectina é um remédio antiparasitário reconhecido pela eficácia contra algumas doenças causadas por vermes e parasitas. Além disso, o medicamento contribuiu para pesquisas que renderam o Prêmio Nobel de Medicina em 2015.
Durante a pandemia de Covid-19, porém, o remédio se tornou alvo de grande controvérsia. Apesar de estudos iniciais sugerirem possíveis benefícios, pesquisas posteriores identificaram erros estatísticos, suspeitas de manipulação de dados e ausência de comprovação científica sólida.
Até 2023, a comunidade científica já considerava que a ivermectina não possui efeito significativo contra a Covid-19. Mesmo assim, relatos pessoais e teorias sobre o medicamento continuam circulando nas redes sociais.
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