O impacto das 316 cadeiras conquistadas pelo Partido Liberal Democrata (PLD) na eleição para a Câmara dos Deputados está alterando o equilíbrio de forças dentro da coalizão governista. O Partido da Inovação do Japão (Ishin), diante da perda relativa de relevância como parceiro, passou a considerar deixar a posição de “cooperação externa ao gabinete” para integrar formalmente o governo com participação ministerial.
O líder do Ishin, Yoshimura Hirofumi, afirmou no dia 10 que recebeu do primeiro-ministro um pedido para participação no gabinete em uma eventual reforma ministerial prevista para o outono, indicando disposição para aceitar. Desde que entrou na coalizão em outubro do ano passado, o Ishin mantinha cooperação externa para preservar sua identidade própria e pressionar o PLD em pautas como a redução do número de deputados.
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No entanto, enquanto o PLD conquistou sozinho mais de dois terços da Câmara, com 316 cadeiras, o Ishin obteve apenas 36, um aumento modesto de duas cadeiras em relação ao período pré-eleitoral. Internamente, cresce a percepção de que o partido precisa garantir resultados concretos para não se tornar irrelevante dentro do governo. Ao mesmo tempo, há receio de que parte do eleitorado tenha votado no Ishin justamente para conter excessos do PLD, reforçando o papel de “freio” dentro da coalizão.
Dentro do PLD, porém, há setores que demonstram frieza em relação ao Ishin. Um veterano afirmou que o partido poderia até romper com o parceiro. O primeiro-ministro também sinalizou abertura para dialogar com outras legendas dispostas a cooperar na implementação de políticas.
Paralelamente, cresce dentro do PLD um movimento para isolar vozes críticas ao primeiro-ministro. Embora muitos parlamentares eleitos tenham posições cautelosas quanto a propostas conservadoras defendidas por Takaichi — como a criminalização da profanação da bandeira, a criação de uma lei antiespionagem ou a redução do imposto sobre consumo —, aliados próximos defendem o fortalecimento da liderança interna. Deputados considerados “anti-Takaichi” demonstram preocupação com um ambiente de maior controle e menor espaço para divergência.
Apesar da posição dominante, a concentração de poder em torno da liderança pode gerar insatisfação interna. Caso tensões se acumulem dentro da própria base governista, isso poderá representar obstáculo maior à condução das políticas do que a fragmentação da oposição.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

