Faltando poucos dias para a votação das eleições para a Câmara dos Deputados, cresce a repercussão negativa em torno da primeira-ministra Sanae Takaichi. A realização do pleito em meio ao período de provas escolares já vinha sendo alvo de críticas, mas novas declarações da premiê durante um comício no dia 31 de janeiro intensificaram a controvérsia.
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Em seu discurso, Takaichi afirmou que, diante do avanço do iene desvalorizado, “o Fundo Especial de Operações Cambiais está em um estado muito confortável”. A fala fazia referência aos ganhos contábeis do governo com a valorização de ativos em moeda estrangeira, mas foi interpretada como uma sinalização de tolerância ao enfraquecimento do iene. Segundo analistas políticos, a declaração repercutiu inclusive no exterior, sendo entendida como uma exaltação dos benefícios da desvalorização cambial.
No dia seguinte, a premiê faltou ao programa “Nichi-yō Tōron”, da NHK, alegando agravamento de sua artrite reumatoide após cumprimentos durante a campanha. A ausência, porém, acabou gerando ainda mais críticas nas redes sociais.
Apesar de pesquisas indicarem que o Partido Liberal Democrata mantém altos índices de apoio e chances de conquistar maioria parlamentar, vozes contrárias à premiê têm ganhado força no meio artístico. Atores e músicos passaram a manifestar publicamente pedidos de afastamento de Takaichi.
O ator Kai Shishido escreveu na rede X que “a medida mais urgente contra a alta do custo de vida seria Takaichi não ocupar o cargo de primeira-ministra”. Já o ator e músico Kazuyuki Aijima criticou a dissolução da Câmara sem apresentação clara de propostas, afirmando não confiar em uma líder que pede apoio nessas condições.
O artista Tsuyoshi Ujiki também reagiu às falas da premiê sobre revisão constitucional, alertando que isso poderia levar o país à guerra e à destruição do modo de vida da população. Após o cancelamento da participação no programa da NHK, o ator Toru Nomaguchi acusou a primeira-ministra de “fugir constantemente” e afirmou que tal postura seria imperdoável.
Críticas igualmente duras vieram do contador de histórias Rakugo Unsui Tatekawa, que classificou a atitude como símbolo de uma política que se esquiva do debate público, alertando que, se esse comportamento se tornar regra, a política japonesa estará em colapso.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

