Em meio à alta dos preços, alguns estabelecimentos no Japão estão adotando uma estratégia contrária à tendência dominante: voltar ao pagamento exclusivamente em dinheiro como forma de reduzir custos e repassar a economia aos consumidores.
O Museu Histórico e Folclórico de Akitakata, na província de Hiroshima, decidiu manter o pagamento de ingressos apenas em dinheiro. Segundo a instituição, o perfil majoritariamente idoso dos visitantes influenciou a decisão. Inicialmente, houve reclamações como “por que só dinheiro?” ou “não fui avisado”, mas, após a colocação de avisos visíveis, os problemas cessaram.
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Embora o governo incentive a digitalização dos pagamentos, o Japão ainda está atrás de países como China e Coreia do Sul nesse quesito. Nesse contexto, alguns comerciantes optaram conscientemente pelo caminho inverso.
Em Sendai, o supermercado Seisenkan Muranushi aboliu completamente os pagamentos cashless a partir de abril de 2025, passando a aceitar apenas dinheiro. O gerente Yoshiharu Muranushi explica que, diante da inflação, a prioridade foi reduzir custos operacionais para devolver esse valor aos clientes. Cerca de 30% dos consumidores usavam pagamentos eletrônicos, mas as taxas cobradas pelas operadoras somavam aproximadamente 20 milhões de ienes por ano. Com o fim dessas taxas, o supermercado reduziu os preços dos produtos: cenouras por cerca de 200 ienes o pacote, daikon por menos de 100 ienes a unidade, pratos prontos fartos e baratos, além de caixas de tangerina por cerca de 1.000 ienes. A mudança resultou inclusive em aumento das vendas.
Em Takasaki, na província de Gunma, o restaurante de steaks e hambúrgueres G.G.C. decidiu, a partir de setembro de 2025, aceitar apenas dinheiro e cartões de crédito, eliminando o uso de dinheiro eletrônico. A economia com taxas permitiu tornar gratuito o aumento de porção de arroz, antes cobrado à parte, além de gerar cerca de 150 mil ienes mensais adicionais em lucro.
Em áreas com grande população idosa, como o bairro de Sugamo, em Tóquio, o uso de dinheiro continua predominante. Muitos moradores afirmam se sentir mais seguros pagando em espécie, evitando confusão, gastos excessivos ou o risco de perder cartões. Comerciantes locais também admitem preferir pagamentos em dinheiro, já que cartões e aplicativos implicam taxas que pesam no orçamento, especialmente em um cenário de custos crescentes de matérias-primas.
Algumas lojas, no entanto, mantêm o cashless por estratégia. A tradicional loja de roupas íntimas Maruji, famosa por suas cuecas vermelhas, aceita pagamentos eletrônicos há cerca de sete anos, principalmente por causa do fluxo de turistas estrangeiros. Ainda assim, cerca de 65% dos clientes pagam em dinheiro, e o uso de meios eletrônicos aumenta nos fins de semana e feriados.
Com 73 anos de história e foco absoluto em Sugamo, a Maruji segue apostando em produtos feitos no Japão e em uma estratégia de nicho bem definida. Apesar do predomínio da cor vermelha nas vitrines, o negócio segue com resultados financeiros sólidos.
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

