O ex-ministro e deputado Iwaya Takashi voltou ao centro de uma polêmica que vem dividindo opiniões no Japão: a criação de cemitérios para enterro islâmico (土葬). O tema ganhou força após políticos locais da província de Oita pedirem ao governo nacional uma posição clara sobre áreas de sepultamento destinadas a muçulmanos que vivem no país.
Desde então, Iwaya passou a ser alvo de críticas e até discursos de ódio nas redes sociais. Ainda assim, decidiu continuar o debate. Para ele, a questão é simples e direta: o Japão já depende fortemente de trabalhadores estrangeiros, e muitos deles são muçulmanos que passam décadas vivendo, trabalhando e criando suas famílias no país.
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Diante dessa realidade, Iwaya questiona a lógica de frases como “se não quer cremação, volte para o seu país”. Segundo ele, esse tipo de resposta ignora tanto a dimensão humana quanto a religiosa do problema. Para muçulmanos, a cremação é proibida pela fé, e negar um local adequado para o enterro significa impor sofrimento às famílias que já fazem parte da sociedade japonesa.
O parlamentar alerta que, com o aumento contínuo da população estrangeira, esse conflito não ficará restrito a uma única região. Pelo contrário, tende a surgir em várias partes do Japão. Por isso, defende que o governo nacional assuma a responsabilidade, em vez de deixar a decisão apenas nas mãos das prefeituras.
Entre as possíveis soluções, Iwaya sugere a criação de áreas de sepultamento organizadas por regiões, evitando a concentração em um único local e reduzindo tensões com comunidades locais. Para ele, o debate vai além da política: trata-se de respeito, convivência e dignidade em uma sociedade que já é, na prática, multicultural.
A pergunta que fica é inevitável:
o Japão vai continuar empurrando essa questão para o futuro ou vai encarar de frente os desafios de conviver com diferentes culturas e religiões?
Fonte: Yahoo Japan
Foto: Reprodução

